Autor: walter

  • ANTIINFLAMATÓRIOS E APARELHO DIGESTIVO

    Os números não mentem e destacam o crescimento do consumo de antiinflamtórios, sem prescrição médica, não somente para doenças específicas, como artrite reumatóide ou osteoartrite, mas também para muitas outras, como fenômenos dolorosos em geral, incluindo dores de cabeça, gripes e cólicas menstruais.

    É certo que os antiinflamatóiros chamados de não esteróides (AINES), são muito utilizados por grande parte da população, principalmente por apresentarem boa resposta contra a dor e a febre. Em todo mundo, o consumo anual chega a 40 bilhões de comprimidos à base de ácido acetilsalicílico, ex. aspirina. Somente nos Estados Unidos são consumidos por dia cerca de 80 milhões de comprimidos de aspirina (45 toneladas).

    Aproximadamente 20% dos usuários de antiinflamatórios têm algum tipo de sintoma gástrico como por exemplo, dor de estômago ou azia e em 10%, estes sintomas são tão intensos que levam a interrupção do tratamento.

    O QUE UM AINES PODE CAUSAR DE MAL NO ORGANISMO? 

    O uso desses medicamentos pode proporcionar no aparelho digestivo, o aparecimento de dor epigástrica (no estômago), azia, desconforto abdominal, além de complicações como gastrite e úlcera, podendo ainda atingir esôfago, intestino delgado e cólon. Fora do aparelho digestivo ainda podem causar problemas renais e cardíacos.

    No caso da úlcera péptica pode haver um aumento significativo de 3 a 5 vezes na sua incidência com o uso de AINES. Cerca de 50% das complicações da doença ocorrem silenciosamente, sendo freqüente o aparecimento de hemorragia ou perfuração, como primeiro sinal.

    Alguns exemplos de AINES mais comuns: Ácido acetilsalicílico, diclofenaco (AAS), nimesulida, piroxicam, celecoxib e ibuprofeno. Antiinflamatórios como o Celecoxib e o Lumiracoxib são bem menos agressivos para o aparelho digestivo, mas também apresentam algum potencial.

    POR QUE OS AINES AGRIDEM O TUBO DIGESTIVO

    Porque além da agressão direta (contato) há uma diminuição (efeito sistêmico) de substâncias que participam da defesa da mucosa do estômago e duodeno contra agentes agressivos, denominadas prostaglandinas. São as prostaglandinas que favorecem a produção da secreção protetora do estômago (muco e bicarbonato) na mucosa gastroduodenal. Com as defesas diminuídas, o tubo digestivo fica vulnerável à ação do ácido clorídrico e da pepsina (substâncias produzidas pelo estômago para auxiliar na digestão dos alimentos), que agem agressivamente, provocando lesões como gastrite e úlcera. Por isso trata-se de um mito a idéia que se usados próximo as refeições não causarão problemas.

    COMO TRATAR DE PACIENTES QUE TÊM ÚLCERA E TAMBÉM UMA INFLAMAÇÃO

    O ideal seria interromper o uso de AINES para o tratamento da úlcera ou mesmo da gastrite, mas nem sempre isso é possível. Na prática, se o uso deste tipo de medicamento for indispensável, pode-se continuar utilizando AINES, associados à medicamentos que diminuem a acidez gástrica e que criam uma película de proteção no seu estômago (efeito band-aid), capazes de proteger, pelo menos em parte o estômago da agressão.




    Estruturação de texto para SEO:

    Antiinflamatórios e Aparelho Digestivo: Tudo o que Você Precisa Saber

    O uso de anti-inflamatórios, especialmente sem prescrição médica, tem crescido significativamente nos últimos anos. Eles são frequentemente utilizados não apenas para tratar doenças específicas, como artrite reumatoide e osteoartrite, mas também para aliviar dores de cabeça, gripes e cólicas menstruais. Neste post, vamos explorar os efeitos dos anti-inflamatórios no aparelho digestivo, os riscos associados e as melhores práticas para seu uso seguro.

    O Crescimento do Consumo de Anti-inflamatórios

    Os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) são amplamente utilizados pela população devido à sua eficácia no alívio da dor e da febre. Anualmente, o consumo global de comprimidos à base de ácido acetilsalicílico, como a aspirina, chega a 40 bilhões. Nos Estados Unidos, são consumidos cerca de 80 milhões de comprimidos de aspirina por dia, o equivalente a 45 toneladas.

    Efeitos dos AINEs no Aparelho Digestivo

    Aproximadamente 20% dos usuários de anti-inflamatórios relatam sintomas gástricos, como dor de estômago ou azia. Em 10% dos casos, esses sintomas são tão intensos que levam à interrupção do tratamento. Os efeitos adversos mais comuns incluem:

    • Dor epigástrica (no estômago)
    • Azia
    • Desconforto abdominal
    • Gastrite
    • Úlceras gástricas e duodenais

    Além disso, os AINEs podem causar complicações graves fora do aparelho digestivo, como problemas renais e cardíacos.

    Exemplos Comuns de AINEs

    Alguns dos AINEs mais utilizados incluem:

    • Ácido acetilsalicílico (aspirina)
    • Diclofenaco
    • Nimesulida
    • Piroxicam
    • Celecoxib
    • Ibuprofeno

    Anti-inflamatórios como Celecoxib e Lumiracoxib são menos agressivos ao aparelho digestivo, mas ainda possuem algum potencial de causar danos.

    Por Que os AINEs Agridem o Tubo Digestivo?

    Os AINEs agridem o tubo digestivo de duas maneiras:

    1. Agressão Direta: O contato direto dos medicamentos com a mucosa do estômago.
    2. Efeito Sistêmico: Diminuição das prostaglandinas, substâncias que protegem a mucosa do estômago e duodeno.

    As prostaglandinas são responsáveis pela produção de muco e bicarbonato, que protegem a mucosa gastroduodenal. Com a redução dessas defesas, o estômago fica vulnerável à ação agressiva do ácido clorídrico e da pepsina, levando a lesões como gastrite e úlcera.

    Como Tratar Pacientes com Úlcera que Necessitam de AINEs

    O ideal é interromper o uso de AINEs em pacientes com úlcera ou gastrite. No entanto, quando isso não é possível, pode-se continuar o tratamento com AINEs associados a medicamentos que diminuem a acidez gástrica e criam uma película protetora no estômago. Esses medicamentos ajudam a proteger o estômago da agressão, minimizando os riscos.

    Conclusão

    Os anti-inflamatórios são eficazes no alívio da dor e febre, mas seu uso deve ser feito com cautela devido aos possíveis efeitos adversos no aparelho digestivo. Consultar um médico antes de iniciar o uso desses medicamentos é essencial para evitar complicações graves. Se o uso de AINEs for indispensável, seguir as orientações médicas e adotar medidas protetoras pode ajudar a minimizar os riscos.

    Lembre-se: A saúde do seu aparelho digestivo é fundamental para o bem-estar geral. Use anti-inflamatórios com responsabilidade e sempre sob orientação médica.

    À medida que multiplicam os benefícios da aspirina, especialistas alertam sobre os riscos

    A barata e ubíqua aspirina há muito é conhecida por seus benefícios à saúde, do alívio básico da dor à prevenção de ataques cardíacos. Mas após um novo estudo nesta semana fornecer evidências estimulantes sugerindo que a aspirina pode aumentar as chances de sobrevivência de pacientes de câncer colorretal, os especialistas foram rápidos em alertar que a droga, um item comum nos armários de remédios, também apresenta riscos.


    “Se eu estivesse em uma ilha deserta, uma das drogas que escolheria ter comigo, sem dúvida, talvez a Nº1, seria a aspirina”, disse o dr. John A. Baron, um professor de Medicina da Escola de Medicina de Dartmouth. “É uma ótima droga, fascinante, maravilhosa. Mas é uma droga e possui efeitos colaterais.” 

    Jens Schlueter/AFP


    Baron e outros especialistas alertaram contra o início de um regime diário de aspirina sem consultar um médico, devido aos riscos de sangramento gastrintestinal e o risco potencial de derrames hemorrágicos, ou sangramento no cérebro.


    “A aspirina é uma droga que está conosco há pouco mais de 100 anos e continuamos aprendendo coisas impressionantes e importantes sobre seus benefícios potenciais”, disse o dr. Otis Brawley, diretor médico da Sociedade Americana do Câncer. “Mas ela é uma faca de dois gumes.”


    O estudo mostrou que pacientes com câncer colorretal, que eram usuários regulares de aspirina, tinham uma chance muito melhor de sobrevivência do que os não-usuários, com uma probabilidade de cerca de um terço de morrer da doença, enquanto aqueles que começaram a usar aspirina após o diagnóstico reduziram seu risco de morrer quase pela metade.

    Estudos anteriores mostraram que pessoas que tomavam aspirina regularmente tinham menor probabilidade de desenvolver tumores no cólon, mas o novo estudo, publicado no “The Journal of the American Medical Association”, é o primeiro a descobrir que pacientes que tinham câncer colorretal e tomaram aspirina sobreviveram por mais tempo.


    Um especialista em câncer de cólon que comentou o recente estudo o chamou de “notável” e “revolucionário”. Mas então seus pacientes começaram a buscar orientação e ele se tornou mais circunspecto.


    “Uma coisa é falar filosoficamente”, disse o especialista, o dr. Alfred I. Neugut, um oncologista da Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Colúmbia, que escreveu um editorial entusiástico sobre o estudo no “The Journal of the American Medical Association” desta semana. “Mas este é apenas um estudo. Para saber se é verdade, ele precisa ser repetido. Todo experimento precisa ser repetido uma vez.”


    O novo estudo não foi um teste clínico controlado, onde os pacientes são divididos aleatoriamente para receber um tratamento específico ou um placebo. Esse tipo de estudo é considerado o padrão ouro para determinar recomendações clínicas de medicamentos, mas também é bem mais caro e desajeitado. Estudos por observação, como este novo, podem ser mais fracos ou enganadores.


    Um teste clínico está em andamento na Ásia, onde o Centro Nacional de Câncer de Cingapura está inscrevendo 2.660 pacientes com doença sem metástase em Hong Kong, Índia, Indonésia e Cingapura, que darão continuidade a seu tratamento e serão selecionados aleatoriamente para receber diariamente aspirina ou um placebo por até três anos, segundo o site do Instituto Nacional do Câncer. 


    A maioria dos tumores de câncer colorretal é positivo para ciclooxigenase-2, ou COX-2, uma enzima que não está expressa em um cólon saudável, mas é ativada sob certas circunstâncias. A enzima parece estar envolvida na alimentação do crescimento celular anormal e contribui tanto para o desenvolvimento quanto para a disseminação do câncer, disse o dr. Andrew T. Chan, o autor do novo estudo.


    Acredita-se que a propriedade anticâncer da aspirina esteja ligada à sua ação como inibidora do COX-2.


    Um teste clínico envolvendo outro inibidor do COX-2, o celecoxib, cujo nome de marca é Celebrex, está em estágio de planejamento e começará a inscrever pacientes no início do próximo ano, disse Chan. Apesar de mais ser conhecido sobre os efeitos da aspirina na prevenção de pólipos colorretais e tumores do que outros cânceres, alguns estudos também insinuaram que a aspirina pode reduzir o risco de desenvolvimento de cânceres de mama, pulmão e próstata, que também estão associados à inflamação, disse Brawley.

    “Parece que há – e ainda estamos falando teoricamente em alguns desses casos – um relacionamento entre inflamação e câncer em certos tumores”, disse Brawley. “E essas drogas parecem ser benéficas porque são anti-inflamatórias e inibem a inflamação inibindo a COX-1 e COX-2.”

    O novo estudo de câncer colorretal apontou não apenas que os pacientes que tomaram aspirina regularmente após o diagnóstico de câncer colorretal tinham melhor chance de sobrevivência do que aqueles que não tomaram, mas também que aqueles que tinham tumores que expressavam em excesso a enzima COX-2 respondiam particularmente bem à aspirina.

    A dra. JoAnn E. Manson, chefe de medicina preventiva do Brigham and Women’s Hospital, que é afiliado à Escola de Medicina de Harvard, alertou sobre os riscos de usar até mesmo pequenas doses de aspirina diariamente, dizendo que em um grande estudo sobre a saúde das mulheres, meias-doses de aspirina para bebês estava associada a um aumento de 40% de sangramentos gastrintestinais sérios que exigiam transfusões.


    Mas, ela reconheceu, pacientes que já estão diagnosticados com câncer colorretal podem sentir que não dispõem do luxo de esperar por resultados adicionais.


    “Eu não acho que todos devem sair correndo e começar a tomar aspirina”, ela disse. “Mas há alguns pacientes que poderiam se beneficiar com isso a esta altura, e se conversarem com seus médicos, eles poderão descobrir se são candidatos razoáveis, já que alguns deles podem não estar em posição de esperar.”

  • TABAGISMO E APARELHO DIGESTIVO

    Problemas comuns ao tabagismo

    O fumo causa uma grande variedade de doenças que põem a vida em risco, incluindo câncer de pulmão, enfisema e doenças cérebro/cardiovasculares. É estimado que 430.000 óbitos por ano sejam diretamente causados pelo tabagismo. O fumo é responsável por alterações em todas as partes do organismo, incluindo o sistema digestivo. E isto pode ter conseqüências sérias. As estimativas atuais indicam que cerca de um terço dos adultos fumam. Mais do que isto, os adultos parecem estar fumando menos, mas mulheres e adolescentes de ambos os sexos parecem estar fumando mais. Como o tabagismo afeta o aparelho digestivo de todas estas pessoas?

    Efeitos Danosos 

    Tem sido demonstrado que o fumo tem efeitos danosos em todas as partes do aparelho digestivo, contribuindo para doenças como refluxo gastroesofágico e úlceras pépticas. Ele também aumenta o risco de Doença de Crohn e possivelmente de cálculos na vesícula biliar. O fumo parece afetar também o fígado, ao alterar a forma como ele metaboliza drogas e álcool. De fato, parece haver razão suficiente para parar de fumar considerando-se somente as doenças do aparelho digestivo. 

    Azia 

    Azia é um sintoma muito comum. Milhões de brasileiros sofrem diariamente com este desconforto. A azia ocorre quando os sucos ácidos do estômago refluem para o esôfago. Normalmente, uma válvula muscular no final do esôfago, chamada esfíncter inferior do esôfago, mantém o ácido no estômago, impedindo sua subida ao esôfago. O fumo diminui a força desta válvula, permitindo assim que haja o refluxo ácido. O fumo também parece promover o movimento de sais biliares do duodeno para o estômago, o que faz o suco gástrico ficar ainda mais prejudicial ao esôfago. E, por fim, o fumo pode danificar diretamente o esôfago, tornando-o mais vulnerável aos efeitos dos fluidos refluídos.

    Úlcera Péptica 

    Uma úlcera péptica é uma lesão no revestimento do estômago e duodeno. Existe uma relação das úlceras (especialmente as duodenais) com o tabagismo. As úlceras parecem ocorrer com mais freqüência, com maior dificuldade para cicatrização, e com maior mortalidade em fumantes do que em não fumantes. E por que isto acontece? Os médicos não têm certeza, mas o fumo parece ser um dos fatores que, em conjunto com outros, promovem a formação das úlceras. Por exemplo: pesquisas sugerem que o fumo aumentaria o risco de uma pessoa possuir a infecção pelo Helicobacter pylori, uma bactéria que causa a maioria das úlceras pépticas.

    O ácido gástrico também é importante na produção das úlceras. Normalmente, a maioria deste ácido é tamponada pelos alimentos que ingerimos. A maior parte do ácido que não foi neutralizado e que entra no duodeno é rapidamente neutralizada pelo bicarbonato de sódio produzido pelo pâncreas. Alguns estudos demonstram que o tabaco reduz a quantidade de bicarbonato produzida pelo pâncreas, interferindo assim com a neutralização de ácido no duodeno. Outros estudos sugerem que o tabagismo crônico poderia aumentar a quantidade de ácido secretada pelo estômago. 

    Não importando as causas exatas da relação entre fumo e úlceras, dois pontos já foram demonstrados repetidas vezes: pessoas que fumam têm maior possibilidade de desenvolver uma úlcera, especialmente duodenal; e úlceras em fumantes têm menor probabilidade de cicatrizar rapidamente em resposta ao tratamento habitualmente efetivo. Estes dados, que demonstram a relação entre fumo e úlceras, sugerem fortemente que pessoas ulcerosas devem parar de fumar.

    Doença Hepática 

    O fígado é um importante órgão, com múltiplas funções. Entre outras coisas, o fígado é responsável pelo processamento de drogas, álcool e outras toxinas para removê-los do organismo. Há algumas evidências de que o tabaco altera a capacidade do fígado de manejar tais substâncias. Em alguns casos, isto pode influir na dose de um medicamento necessária para tratar alguma doença. Pesquisas também sugerem que o fumo pode agravar a evolução de doenças hepáticas causadas por abuso alcoólico.

    Doença de Crohn 

    A Doença de Crohn causa uma inflamação nas paredes do intestino. A doença, que causa dor e diarréia, geralmente afeta o intestino delgado, mas pode ocorrer em qualquer parte do tubo digestivo. As pesquisas demonstram que fumantes atuais e ex-fumantes têm um risco maior de desenvolver Crohn do que não fumantes. Entre as pessoas com a doença, o tabagismo é associado com uma taxa maior de recidiva e maior necessidade de cirurgias e tratamento imunossupressor. Em todas as áreas, o risco para mulheres – seja fumantes ativas ou ex-fumantes – é discretamente maior do que para homens. Não se sabe por que o fumo aumenta o risco para a doença, mas algumas teorias sugerem que o fumo poderia diminuir as defesas dos intestinos, diminuir o fluxo de sangue para os intestinos, ou causar alterações no sistema imune que resultam em inflamação.

    Cálculos Biliares 

    Vários estudos sugerem que o fumo pode aumentar o risco de desenvolvimento de cálculos biliares e que o risco pode ser maior para mulheres. Entretanto, os resultados de pesquisas neste campo não são consistentes, e mais estudos são necessários.

    O dano pode ser revertido? 

    Alguns dos efeitos do fumo no aparelho digestivo parecem ter curta duração. Por exemplo: o efeito na produção de bicarbonato pelo pâncreas tem curta duração. Dentro de meia-hora depois de fumar, a produção de bicarbonato volta ao normal. Os efeitos do tabagismo sobre o metabolismo hepático de drogas também desaparecem quando a pessoa pára de fumar. Entretanto, pessoas que param de fumar permanecem sob risco para Doença de Crohn. Claramente, esta questão necessita de maiores estudos.

  • Gastrostomia Endoscópica Percutânea (PEG)

    O QUE É?

    PEG significa gastrostomia endoscópica percutânea, um procedimento mediante o qual se coloca um tubo flexível de alimentação através da parede abdominal até o estômago. Permite a nutrição e a administração de líquidos e medicamentos diretamente no estômago, derivando a boca e o esôfago.

    COMO É FEITO

    O médico utilizará o endoscópio como guia para criar uma pequena abertura na pele do abdômen diretamente acima do estômago por uma técnica chamada trans-iluminação. Este procedimento permite ao médico colocar o tubo de alimentação dentro do estômago com segurança.

    Os pacientes geralmente recebem sedação leve e anestesia local, sendo feito também uma dose de antibiótico-profilático antes do procedimento. Geralmente os pacientes podem voltar para a casa após o procedimento.

    QUEM PODE SE BENIFICIAR COM UMA PEG

    Os pacientes que têm dificuldade para engolir, problemas com o apetite ou impossibilidade de nutrissem de modo suficiente por via oral podem beneficiar-se com este procedimento.

    COMPLICAÇÕES

    Podem ocorrer complicações devido a colocação da PEG. As possíveis complicações incluem dor local, exteriorização do estômago através do orifício da parede abdominal, infecção local, hemorragias e perfuração intestinal.

    TEMPO DE DURAÇÃO DE UM TUBO

    Os tubos de PEG duram meses ou anos. Caso rompam ou obstruam podem ser trocados, o que pode ser feito facilmente sem sedação nem anestesia.

  • PHMETRIA ESOFÁGICA DE 24 HORAS

    É a medição prolongada da acidez em diferentes níveis do esôfago, para se saber se há refluxo excessivo de ácido do estômago para o esôfago – o refluxo gastrosofágico.

    É o exame padrão ouro para o diagnóstico de doença do refluxo gastro-esofágico (DRGE), principalmente porque é freqüente pessoas apresentarem problemas decorrentes de refluxo excessivo sem terem alterações à endoscopia.É colocada uma fina sonda no esôfago através do nariz, e o indivíduo fica com a sonda por 24 horas. Durante todo este tempo, o pH esofágico está sendo medido e gravado num pequeno aparelho que fica preso à cintura. Posteriormente, o médico analisa as informações e emite o laudo.

  • REFLUXO GASTRO-ESOFÁGICO OU ESOFAGITE DE REFLUXO OU DRGE

    O QUE É ESOFAGITE DE REFLUXO?

    O esôfago é um tubo muscular, de aproximadamente 25 a 30 centímetros, que conecta a garganta ao estômago, passando por dentro do tórax e com isso se relacionando com vários outros órgãos importantes como coração e pulmões. 

    Em pessoas sadias, o esôfago tem, basicamente, as funções de:

    1) Impedir a deglutição de ar;

    2) Evitar que haja volta dos alimentos e do ácido e bile presentes no estômago e a conseqüente entrada nas vias aéreas;

    3) Empurrar os alimentos até o estômago.

    Estas funções são desempenhadas através da combinação de uma série de mecanismos. Na Doença do Refluxo Gastro-Esofágico (DRGE), os mecanismos de funcionamento do esôfago encontram-se alterados. Essa doença se manifesta através da chamada esofagite de refluxo (inflamação da porção mais baixa do esôfago). 

    COMO ACONTECE?

    Sua ocorrência é mais comum na quinta e sexta décadas de vida, sendo causa de importante queda na qualidade de vida. A principal causa é a hérnia de hiato (deslizamento para o interior do tórax de parte do estômago e da porção final do esôfago, que normalmente já está no interior do abdome). Contudo, há outros fatores que podem causar a esofagite de refluxo, tais como:

          * obesidade;

          * gravidez;

          * vômitos freqüentes;

          * esclerodermia;

          * doenças que dificultam o esvaziamento gástrico (diabetes, úlcera péptica);

          * uso prolongado de sondas naso-gástricas;

          * efeito colateral de alguns medicamentos.

    QUAIS OS SINTOMAS?

    O sintoma mais comum é a azia (pirose). Pode surgir quando a pessoa se deita, após as refeições, verificando-se alívio ao sentar-se.

    Podem ser observadas ainda, com menor freqüência:

       * sensação de entalamento;

    * dor no momento da deglutição;

    * vômitos;

    * dor torácica;

    * tosse crônica;

    * asma;

    * laringite;

    * pneumonia;

    * salivação excessiva.

    A azia, sintoma mais comum, pode ser severa e normalmente acontecem 30 a 60 minutos após as refeições. A dor pode irradiar-se para o pescoço, mandíbula, braços e para as costas.

    COMO É DIAGNOSTICADO?

    O médico irá rever os sintomas e fará um exame físico. Em seguida, poderá solicitar alguns dos seguintes exames:

    * teste para monitorar a acidez de esôfago (phmetria de 24 horas);

    * radiografia contrastada do esôfago;

    * endoscopia digestiva alta;

    * manometria do esôfago. 

    COMO É TRATADO?

    O tipo de tratamento é opcional – Clínico ou Cirúrgico. Ambos demonstram em estudos recentes o mesmo percentual de bons e maus resultados.

    O tratamento pode ser feito clinicamente, com medicamentos (uso contínuo) e orientações gerais inclusive dietéticas, ou através de operação. A operação, cuja indicação já foi muito restrita, hoje em dia, em razão de avanços recentes nessa área (operação vídeo-laparoscópica), proporciona excelentes resultados com um trauma mínimo e conseqüentemente rápida recuperação.

    Cabe ao médico informar ao paciente qual os prós e os contras de cada opção.

  • PANCREATITE

    O QUE É PANCREATITE?

    A pancreatite é uma inflamação do pâncreas. O pâncreas é uma glândula grande que se localiza atrás do estômago e junto ao duodeno. O duodeno é a parte alta do intestino delgado. O pâncreas secreta enzimas digestivas para o intestino delgado através de um canal chamado de ducto pancreático. Estas enzimas ajudam na digestão das gorduras, proteínas e carboidratos dos alimentos. O pâncreas também libera os hormônios insulina e glucagon na corrente sanguínea. Estes hormônios ajudam o corpo a utilizar a glicose que ele toma da comida para transformar em energia.

    Normalmente as enzimas digestivas não se tornam ativas até que elas atingem o intestino delgado, onde começam a digerir os alimentos. Mas se estas enzimas se tornarem ativas dentro do pâncreas, elas iniciam a “digestão” do pâncreas por si próprio (auto-digestão).

    A pancreatite aguda ocorre subitamente e dura por um curto período de tempo e geralmente melhora. A pancreatite crônica não melhora por si só e conduz a uma destruição gradativa do pâncreas. Qualquer uma das formas pode causar complicações sérias. Nos casos graves, podem ocorrer hemorragia, lesão tecidual e infecção. Pseudocistos, que são acúmulos de líquido e restos de tecido, também podem se desenvolver. As enzimas e toxinas podem entrar na circulação sanguínea, lesar o coração, pulmões e rins, ou outros órgãos.

    PANCREATITE AGUDA 

    Algumas pessoas têm mais que um ataque e se recuperam completamente após cada um deles, mas a pancreatite pode ser grave, com risco de vida e muitas complicações. Cerca de 80 000 casos ocorrem nos Estados Unidos a cada ano, cerca de 20% deles são graves. A pancreatite aguda ocorre, em nosso meio (Brasil), mais freqüentemente em mulheres que em homens.

    PANCREATITE CRÔNICA 

    Se a agressão ao pâncreas continua, a pancreatite crônica pode se desenvolver. A escola européia (Dr. Sarles) e brasileira (Dr. Mott) defende que a pancreatite crônica é uma doença diferente da pancreatite aguda. O alcoólatra, neste caso, já apresenta a pancreatite crônica desde a primeira manifestação da doença, não havendo necessidade de ataques repetidos de pancreatite aguda para a doença se desenvolver. Considera-se, neste caso, que o álcool não é responsável por pancreatite aguda, mas por episódios de agudização de uma pancreatite crônica de base, desde o início. A pancreatite crônica ocorre quando as enzimas digestivas atacam e destroem o pâncreas e tecidos vizinhos, causando cicatrização e dor. A causa mais comum de pancreatite crônica é o uso abusivo do álcool por muitos anos, mas a forma crônica também pode ser causada por uma lesão do ducto pancreático, num único ataque de pancreatite aguda. Os ductos lesados fazem com que o pâncreas se inflame, o tecido seja destruído e o desenvolvimento de tecido cicatricial. 

  • HEPATITE MATA UMA PESSOA A CADA 30 SEGUNDOS

    A World Hepatitis Alliance (Aliança Mundial da Hepatite) convocou os governos de todas as nações a não se esquecerem da difícil situação de 500 milhões de pessoas que vivem com hepatites B e C. O Presidente da World Hepatitis Alliance explicou que a comunidade da hepatite reconheceu a necessidade de um esforço combinado para enfrentar a influenza H1N1, mas destacou que os líderes globais da saúde não podem mais continuar a ignorar as hepatites B e C. “A hepatite viral nunca foi adequadamente tratada em âmbito global e as consequências foram desastrosas”. “Apesar desse desapontador adiamento, esperamos trabalhar tanto com a Diretoria Executiva da OMS quanto com governos do mundo inteiro para garantir que seja aprovada uma resolução em e que seja adotada uma abordagem abrangente e coordenada antes que outro milhão de pessoas morra”.
    As hepatites virais crônicas B e C afetam uma em cada 12 pessoas no mundo e aproximadamente uma pessoa morre a cada 30 segundos, o que significa que um milhão de pessoas morrerá antes da próxima Assembleia Mundial da Saúde. Desde que os vírus das hepatites B e C foram descobertos em 1967 e 1988, respectivamente, não houve uma única resolução da OMS que tratasse inteiramente dos desafios da epidemia global.
    Segundo as estatísticas uma em cada 12 pessoas no mundo está vivendo com hepatite B crônica ou hepatite C crônica. Ao mesmo tempo em que essa porcentagem é muito maior do que a incidência de HIV ou qualquer câncer, a consciência é inexplicavelmente baixa e a maioria dos infectados não sabe.

    Você sabia?

    Aproximadamente 500 milhões de pessoas no mundo estão atualmente infectadas com hepatites B ou C.

    Isso é mais de dez vezes o número de infectados pelo HIV/AIDS. Em conjunto, as hepatites B e C matam um milhão de pessoas por ano.
    Uma em cada três pessoas no planeta foi exposta a um ou a ambos os Vírus.
    Mais de 500 milhões de infectados não sabem.

  • HELICOBACTER PYLORI

    O QUE É?

    O H. pylori é um organismo espiral, multiflagelado, unipolar, com terminações arredondadas abruptas, que vive sobre a parede do estômago humano onde fica curvado ou discretamente espiralado. Quatro a seis flagelos embainhados estão ligados a um pólo, o que permite movimentar-se por entre o muco e na superfície da célula do estômago.

    O único hospedeiro natural é o homem. A bactéria é um organismo altamente evoluído que se adaptou para sobreviver na mucosa gástrica humana.

    O nicho ecológico preferido pelo H. pylori é uma região do estômago chamada de antro gástrico. A bactéria também pode ser encontrada no corpo, mas o antro é o seu habitat normal. 

    O ESTÔMAGO TEM UM AMBIENTE MUITO ÁCIDO. COMO UMA BACTÉRIA CONSEGUE VIVER NESTE LOCAL?

    A característica desenvolvida pela bactéria para enfrentar este ambiente é a habilidade para produzir grandes quantidades de uma enzima denominada urease. Esta enzima transforma a uréia livre que existe no suco gástrico em amônia e dióxido de carbono, que são básicos. Uma névoa de amônia neutraliza, então, o ácido, protegendo a bactéria do seu ataque na luz do estômago. Devido à sua forma espiral e a presença de flagelos o H. pylori tem grande mobilidade em soluções viscosas. A motilidade ativa provavelmente promove a sua rápida penetração na camada de muco que recobre as células do estômago antes de atingir o ambiente neutro que recobre a superfície do epitélio gástrico. Neste local, denominado “paraíso seguro”, ele está protegido dos efeitos deletérios do ácido gástrico.

    O QUE A BACTÉRIA CAUSA NO ESTÔMAGO?

    A primeira conseqüência da infecção pelo H. pylori no homem é o desenvolvimento de gastrite. Ela também pode causar úlcera no estômago e no duodeno. É discutível o seu papel nas chamadas dispepsias funcionais (dor, estufamento, inchaço, sensação de saciedade precoce). Ela é considerada como um dos fatores predisponentes para câncer do estômago juntamente com outros fatores (história familiar de câncer do estômago, fatores ambientais, etc.) e ao linfoma gástrico.

    COMO PODE SER DIAGNOSTICADA UMA INFECÇÃO PELO H. PYLORI?

    A detecção do H. pylori para o diagnóstico inicial pode ser realizado através de uma variedade de métodos. Estes métodos podem ser divididos em invasivos (aqueles que precisam de endoscopia) e não-invasivos (não precisam a endoscopia). O exame invasivo (durante uma endoscopia) e o mais comumente realizado é o teste da urease. É um exame de fácil realização, confiável e barato. Os outros testes são realizados excepcionalmente, isto é, quando o teste da urease foi negativo (ausência da bactéria) e existe necessidade absoluta de confirmar este resultado. Podem ser utilizados, então, a histologia (invasivo) e o teste respiratório (não invasivo). Em pessoas cujo H. pylori nunca foi tratado também pode ser utilizado o teste sorológico.

    COMO A BACTÉRIA É TRANSMITIDA? 

    As rotas de infecção não são totalmente conhecidas. Cerca de 70 a 80% da população de países em desenvolvimento possuem o H. pylori em seus estômagos, mas nem todos desenvolvem qualquer tipo de doença relacionada a ela.

    Os pesquisadores pensam que elas possam ser através do alimento ou água. Foram encontrados H. pylori na saliva de algumas pessoas infectadas, de maneira que a bactéria pode se transmitir através do contato boca a boca, como o beijo. Vários estudos demonstraram que o parceiro de uma pessoa H. pylori positiva tem um maior risco de infecção. Muitas infecções são transmitidas dos pais para suas crianças. A unidade familiar, então, é outro local para a transmissão do H. pylori. Os fatos acima relatados (água, infecções em famílias e instituições) sugerem, também, que a rota fecal-oral é um importante mecanismo de transmissão. 

    QUANDO SE ADQUIRE A BACTÉRIA?

    A infecção pelo H. pylori, à luz dos conhecimentos atuais, a menos que seja tratada e erradicada, pode ser considerada como uma infecção da criança que durará a maioria ou toda sua vida, e eventualmente, em algumas pessoas, em virtude de outros fatores de risco que necessitam ser definidos, contribuirá para o desenvolvimento de doenças do estômago e do duodeno. Após a infância, é mais difícil de adquirir o H. pylori.

    QUAL O MAIOR FATOR DE RISCO PARA ADQUIRIR A INFECÇÃO?

    O maior fator de risco para a infecção pelo H. pylori parece ser o nível sócio-econômico da família da criança. Nos países em desenvolvimento, as pessoas tornam-se infectadas mais precocemente que em países desenvolvidos. Assim, em países em desenvolvimento quase todas as crianças estão infectadas aos 10 anos de idade. Nos países desenvolvidos as famílias de crianças de mais baixo nível sócio-econômico estão infectadas. Estas crianças permanecerão infectadas por toda sua vida. De uma maneira singular, para um país em particular, pode-se fazer um paralelo entre a taxa de infecção pelo H. pylori e o seu desenvolvimento econômico o qual conduz a melhores condições de vida e, em particular, melhora as condições de higiene. Isto significa que, em locais mais desenvolvidos, pessoas mais idosas, por viverem numa época em que as condições de higiene não eram tão boas, tenderão a ter maior índice de infecção que pessoas nascidas mais recentemente. É importante saber, então, ao se investigar uma pessoa infectada, qual era o seu nível sócio-econômico quando criança ou adolescente e não o seu nível atual. Dados recentes mostram que a falta de água quente corrente (encanada) na casa, aglomeração de pessoas (creches, etc.) e dividir a cama com outra(s) pessoa(s) são fatores que permitem predizer uma maior taxa de infecção pelo H. pylori.

    DEVE SER FEITO CONTROLE DE ERRADICAÇÃO DA BACTÉRIA APÓS O TRATAMENTO?

    Existem controvérsias a respeito do valor de se realizar testes pós-tratamento para determinar se o H. pylori persiste depois de completado um curso de tratamento com antibióticos. Existe indicação absoluta para sua realização quando a pessoa teve um curso desfavorável de uma doença por ele causada, úlcera péptica complicada, por exemplo, (hemorragia ou perfuração) ou outra doença que seja necessário ter certeza que a bactéria foi eliminada.

    Atualmente a recomendação é realizar o controle após 3 meses do tratamento. Antes desse período mesmo que erradicada pode-se encontrar restos o que pode proporcionar um resultado falso positivo na análise.

    Mais de 90% das pessoas têm a bactéria erradicada com os tratamentos atuais. O teste de preferência é o respiratório, não disponível na imensa maioria das cidades do nosso país. A opção, nestes casos, seriam os testes invasivos (teste da urease mais histológico), com o desconforto de realizar uma nova endoscopia. São todos exames caros.

    COMO SÃO TRATADAS AS ÚLCERAS PÉPTICAS RELACIONADAS AO H. PYLORI?

    O tratamento geralmente envolve uma combinação de antibióticos e supressores de ácido, podendo, em alguns esquemas, poderem ser utilizados os protetores do estômago. Os regimes de antibióticos recomendados para pacientes diferem nas diferentes regiões do mundo porque em áreas diferentes podem ocorre o início de resistência a algum antibiótico em particular e pelo custo (caro) dos diversos esquemas.

    O uso de um único medicamento para tratar H. pylori não é recomendado. Até o presente momento, o tratamento provado que se mostrou mais eficiente nos Estados Unidos é a chamada terapia tríplice, administrada por 2 semanas. Ela se baseia em tomar dois antibióticos para matar a bactéria e um supressor de ácido ou um protetor da parede do estômago. Duas semanas de terapia tríplice reduzem os sintomas de úlcera, mata a bactéria e previne a recidiva em mais que 90% dos pacientes.

    Infelizmente, os pacientes podem achar a terapia tríplice complicada porque necessita tomar 8 comprimidos por dia (em alguns esquemas até 20). Também, os antibióticos usados na terapia tríplice podem causar efeitos colaterais leves como náuseas, vômitos, diarréia, fezes escuras, gosto metálico, tonturas, dor de cabeça e infecções por fungos em mulheres (a maioria destes efeitos pode ser tratada com a retirada dos medicamentos).

    Entretanto, estudos recentes nos Estados Unidos mostram que 2 semanas de terapia tríplice é o ideal.

    Estudos anteriores em outros países sugerem que uma semana de terapia tríplice pode ser tão eficiente quanto a terapia de 2 semanas, com menos efeitos colaterais (e mais barato).

    Outra opção é duas semanas de terapia dupla. Ela utiliza duas drogas: um antibiótico e um supressor de ácido. Não é tão eficiente quanto à terapia tríplice.

    Duas semanas de terapia quádrupla, a qual utiliza dois antibióticos, um supressor de ácido e um protetor da parede do estômago, é utilizada quando os esquemas anteriores falharam em erradicar a bactéria.

  • Exames laboratoriais / Check-up

    “Tratamos pessoas, e não exames, e buscamos saúde e não doença.”

    Esse é o conceito que temos no momento em que somos solicitados para a realização do famoso “check-up”. Uma primeira avaliação através de uma boa anamnese é fundamental, pois na análise dos resultados de uma bateria de exames laboratoriais espera-se a existência de resultados falso-positivos, e não há caráter de diagnóstico definitivo quando tais exames são realizados. Os resultados falso-positivos são necessários para que os verdadeiramente positivos não deixem de ser detectados. Em outras palavras, caso algum de seus exames esteja alterado, isto apenas indica que você deve prosseguir para uma investigação mais profunda e específica que verificará a conduta a ser tomada. Por outro lado, um resultado negativo, ou dentro dos parâmetros da normalidade somente tem valor se você não tem sintomas relacionados.

    Hemograma completo – Este exame define a composição celular do seu sangue. Há três categorias de células normais do sangue: as vermelhas (também camadas de glóbulos vermelhos, hemácias ou eritrócitos), as brancas (glóbulos brancos ou leucócitos) e as plaquetas. As células vermelhas são as transportadoras de oxigênio, as células brancas fazem parte do sistema imunológico de defesa do organismo, e as plaquetas estão envolvidas na coagulação do sangue.

    A interpretação de todos os parâmetros de um hemograma é mais complexa do que alguém sem formação médica pode esperar, e muitas vezes o que orienta o diagnóstico médico é a composição entre mais de um destes parâmetros. No entanto, sem a pretensão de cobrir todas as possibilidades, segue-se uma explicação sobre cada um dos componentes deste exame.

    Eritrograma.

    A análise das células vermelhas é feita pelo eritrograma. A capacidade do sangue em transportar oxigênio de pende da massa total de hemoglobina carreada pelas hemácias, e a redução dessa massa é a anemia.

    Leucograma.

    A análise das células brancas é feita pelo leucograma. Há vários tipos celulares, refletindo a complexidade do sistema imunológico. Os valores normais são diferentes para homens e mulheres, mas normalmente há muito menos leucócitos que hemácias no sangue; os leucócitos são contados em milhares por milímetro cúbico enquanto as hemácias contam-se em milhões.

    Plaquetas.

    Células sem núcleo (como as hemácias) que fazem parte do sistema de coagulação do sangue. A coagulação é necessária para que não existam sangramentos excessivos. Coagulação excessiva, por outro lado, causa tromboses. A contagem normal de plaquetas indica a saúde de seu sistema de coagulação. Alterações no seu sistema de coagulação, que é essencial para o bom funcionamento do sistema circulatório, não devem ser negligenciadas.

    Bioquímica do sangue – Este exame define a composição bioquímica do seu sangue (sais minerais, eletrólitos, proteínas, gorduras, substâncias a serem excretadas, …).

    Lipidograma.

    Dosa o colesterol total e suas frações (VLDL, LDL e HDL) e os triglicerídeos.

    Colesterol existe em todas as células de nosso organismo, e é essencial para a manutenção das membranas celulares e certos hormônios. No entanto, todo o colesterol que necessitamos é fabricado pelo próprio organismo. Todo o colesterol que ingerimos na dieta é extra, e pode não ser saudável. No entanto, reduzir o excesso de colesterol é, em geral, possível com um estilo de vida saudável, com boa dieta e atividade física.

    O colesterol é carregado no sangue por proteínas, formando conjugados chamados de lipoproteínas. LDL (low-density lipoprotein) e VLDL (very low-density lipoprotein) transportam o colesterol pelo corpo, e tendem a acumular-se nas artérias, endurecendo-as e estreitando-as. Por esse motivo, excesso de LDL e VLDL é prejudicial, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.

    HDL (high-density lipoprotein) transporta o excesso de colesterol para o fígado, onde este é metabolizado. Por este motivo, aumento de DL é protetor de sua saúde.

    Quando ingerimos alimento, nosso organismo estoca o excesso na forma de gordura. Os triglicerídeos correspondem à gordura que circula em nosso sangue para, depois, serem estocados em nossos tecidos. Nos períodos de jejum, esta gordura pode ser mobilizada dos estoques, circular novamente e ser utilizada onde nos órgãos que necessitam de energia. Colesterol e triglicerídeos são tipos diferentes de gordura: o colesterol é parte da formação de nossas estruturas, enquanto os triglicerídeos nos fornecem energia, tendo por isso uma origem diferente (massas, açucares e álcool). Ambos são transportados no sangue por lipoproteínas e, por isso, excesso de colesterol e triglicerídeos costumam acompanhar-se.

    Glicemia.

    A medida de glicose circulante no sangue (glicemia) é parâmetro para identificação do diabetes. Em condições normais, a glicose aumenta após a ingestão de alimentos, e por isso o resultado é padronizado para a coleta do sangue após jejum de, no mínimo, 8 horas.

    Bilirrubinas total e frações

    Aspartato aminotransferase (AST / TGO)

    Alanina aminotransferase (ALT / TGP)

    Fosfatase Alcalina

    Gama Glutamil Transpeptidase (GGT).

    Estas substâncias / enzimas ficam dentro das células do fígado.

    Seus níveis no sangue são normalmente baixos e seu aumento significa algum tipo de dano hepático.

    Uréia / Creatinina

    São metabólitos excretados pelo rim. Rins com função preservada devem eliminar estas substâncias adequadamente.

    EAS ou Urina tipo I – Urina I é o exame de vários parâmetros da urina. Assim como o hemograma, sua análise é relativamente complexa. Faz a análise do aspecto, densidade, composição bioquímica e celularidade.

    Tireóide (T3, T4 e TSH) – A tireóide é uma glândula situada à frente da laringe, e sua função é reguladora de nosso metabolismo. A quantidade de hormônio tireoideano produzido pela tireóide é regulada, por sua vez, pela glândula pituitária ou hipófise, que secreta outro hormônio, o TSH. Em condição normal, os dois hormônios mantém-se em equilíbrio: o aumento de hormônio tireoidiano inibe a liberação do TSH; a estimulação da tireóide, então, é reduzida, e menos hormônio tireoidiano é produzido; quando o nível de hormônio tireoidiano cai abaixo de certo nível, porém, TSH volta a ser liberado, estimula a tireóide, e o hormônio tireoidiano volta a subir.

    PSA – A sigla PSA vem do inglês, Prostate-Specific Antigen (Antígeno Específico da Próstata). O PSA é um antígeno relacionado com o câncer de próstata, e é usado para fins de acompanhamento pós-tratamento.

    EPF – Exame parasitológico de fezes para que se possa detectar a presença ou ausência de parasitoses intestinais, as quais podem se expressar por uma série de sintomas.

  • Covid-19: ANS finaliza análise técnica e determina inclusão de testes sorológicos no Rol de Procedimentos

    A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu incorporar de forma extraordinária ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde os testes sorológicos para detectar a presença de anticorpos produzidos pelo organismo após exposição ao novo Coronavírus. A decisão da Diretoria Colegiada, nesta quinta-feira (13/08), foi tomada após a ANS concluir análise técnica das evidências científicas disponíveis e promover amplo debate sobre o tema com o setor regulado e a sociedade.

    A medida passa a valer a partir de amanhã (14/08), com a publicação da Resolução Normativa no Diário Oficial da União. Os procedimentos incorporados são a pesquisa de anticorpos IgG ou anticorpos totais, que passam a ser de cobertura obrigatória para os beneficiários de planos de saúde a partir do oitavo dia do início dos sintomas, nas segmentações ambulatorial, hospitalar e referência, conforme solicitação do médico assistente, quando preenchido um dos critérios do Grupo I e nenhum dos critérios do Grupo II destacados a seguir: 

    Grupo I (critérios de inclusão): 

    a) Pacientes com Síndrome Gripal (SG) ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) a partir do oitavo dia do início dos sintomas

    b) Crianças ou adolescentes com quadro suspeito de Síndrome Multissistêmica Inflamatória pós-infecção pelo SARS-Cov2 

    Grupo II (critérios de exclusão): 

    a) RT-PCR prévio positivo para SARS-CoV-2

    b) Pacientes que já tenham realizado o teste sorológico, com resultado positivo

    c) Pacientes que tenham realizado o teste sorológico, com resultado negativo, há menos de 1 semana (exceto para os pacientes que se enquadrem no item b do Grupo I) 

    d) Testes rápidos 

    e) Pacientes cuja prescrição tem finalidade de rastreamento (screening), retorno ao trabalho, pré-operatório, controle de cura ou contato próximo/domiciliar com caso confirmado

    f) Verificação de imunidade pós-vacinal

    Confira abaixo a descrição das condições que caracterizam Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave: 

    Síndrome Gripal (SG): Indivíduo com quadro respiratório agudo, caracterizado por pelo menos dois dos seguintes sinais e sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou distúrbios gustativos. Em crianças: além dos itens anteriores considera-se também obstrução nasal, na ausência de outro diagnóstico específico. Em idosos: deve-se considerar também critérios específicos de agravamento como sincope, confusão mental, sonolência excessiva, irritabilidade e inapetência. 

    Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): Indivíduo com SG que apresente: dispneia/desconforto respiratório OU pressão persistente no tórax OU saturação de O2 menor que 95% em ar ambiente OU coloração azulada dos lábios ou rosto. Em crianças: além dos itens anteriores, observar os batimentos de asa de nariz, cianose, tiragem intercostal, desidratação e inapetência.

    Participação social 

    A ANS promoveu uma audiência pública a fim de receber contribuições da sociedade civil e dos agentes regulados a respeito dos testes sorológicos que contou com a participação de 146 pessoas representando diferentes categorias (sociedades médicas, órgãos de defesa do consumidor e entidades de ensino e pesquisa, setor regulado, entre outras), tendo sido contabilizadas, ainda, 1.750 visualizações na transmissão feita pelo canal da ANS no YouTube. As contribuições efetuadas na audiência pública ofereceram mais subsídios para a equipe técnica da ANS embasar sua tomada de decisão.

    Finalizado esse amplo processo de discussão e análise técnica, a Agência concluiu pela inclusão da pesquisa de anticorpos IgG ou anticorpos totais, com Diretriz de Utilização (DUT). 

    Sobre os testes para diagnóstico da Covid-19 

    Os testes sorológicos são aqueles que objetivam detectar a presença de anticorpos produzidos pelo organismo após exposição ao vírus e podem ser realizados por meio das técnicas de imunofluorescência, imunocromatografia, enzimaimunoensaio e quimioluminescência. Os diversos testes sorológicos existentes apresentam sensibilidade e especificidade diferentes, que podem apresentar alto percentual de resultados falsos negativos. Por isso é importante observar o início dos sintomas e o período adequado para indicação de cada teste, além de serem interpretados com cautela e considerando a condição clínica do paciente. 

    Já os testes que utilizam a metodologia RT PCR possuem a finalidade de identificar a presença do material genético do vírus. Neste tipo de teste, são utilizadas amostras de esfregaço nasal ou orofaríngeo, escarro ou líquido de lavagem broncoalveolar. O RT PCR é considerado padrão-ouro para diagnóstico laboratorial da Covid-19, e está incorporado ao Rol de Procedimentos da ANS. 

    A ANS reforça que, no que tange à incorporação de procedimentos para diagnóstico e manejo do paciente com Covid-19, o conhecimento da infecção pelo vírus ainda está em fase de consolidação e, à medida que novas evidências forem disponibilizadas, as tecnologias e orientações sobre seus usos poderão ser revistas.