Autor: walter

  • Linfoma: uma doença com tratamento em evolução

    Definição:
    – Os linfomas constituem um grupo heterogêneo de doenças caracterizadas
    pela proliferação clonal de células linfóides B ou T malígnas. Esta
    proliferação usualmente está limitada aos órgãos linfáticos (gânglios,
    amígdalas, baço, tecido linfóide de mucosa no tubo digestivo), entretanto,
    em casos mais graves ou avançados, também pode haver infiltração de
    órgãos contíguos ou distantes (fígado, pele, medula óssea, cérebro, ossos).
    – Há dois grandes grupos de linfoma que têm características clínicas gerais
    semelhantes, porém com constituição celular bastante distinta: a doença de
    Hodgkin e os linfomas não-Hodgkin. Esta diferença na constituição celular
    resulta em doenças com história natural diversa e, conseqüentemente, com
    planos de tratamento individualizados. Devido à complexidade do tema,
    limitaremos esta matéria à discussão dos aspectos relativos aos linfomas
    não-Hodgkin (LNH).

    Epidemiologia

    – A incidência de LNH aumenta progressivamente com a idade, sendo mais
    prevalente a partir da quarta década de vida. O linfoma linfoblástico e o
    linfoma de Burkitt constituem exceção a esta regra, sendo mais comuns
    entre crianças e adultos jovens (< 20 anos). Nos EUA são esperados 43000
    casos novos/ano, com discreto predomínio de homens sobre mulheres. Os
    dados epidemiológicos brasileiros são pouco conhecidos, entretanto, de
    acordo com um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde,
    para o Distrito Federal estima-se 150 novos casos no ano de 2005. Estudos
    recentes revelam uma tendência de elevação progressiva nas taxas de
    incidência desta patologia no mundo, mas os fatores ainda são
    desconhecidos.

    Classificação

     O diagnóstico de linfoma só é possível através da biópsia do tecido ou órgão
    afetado. Todavia, a denominação LNH compreende um amplo conjunto de
    patologias diferentes com características próprias. Em 2001, através do
    agrupamento de doenças com características morfológicas, fenotípicas,
    genéticas e clínicas semelhantes, a OMS elaborou e publicou uma
    classificação de LNH amplamente aceita, que representa o consenso entre
    hematologistas e patologistas (tabela).

    Clínica
     Do ponto de vista prático, os LNH podem ser divididos em dois grandes grupos:
    os LNH indolentes (constituídos por células tumorais de pequeno tamanho,
    parecidas com as células normais maduras, freqüentemente distribuídas à forma
    de folículos – figura 1) e os LNH agressivos (compostos por células de maior
    tamanho, semelhantes às células mais imaturas, infiltrando difusamente o tecido
    – figura 2). Estas diferenças histológicas têm repercussão na apresentação
    clínica:
     LNH Indolente – células pequenas – folicular (figura 3)
    – Predomínio em pacientes idosos
    – Adenomegalia lentamente progressiva (meses ou anos)
    – Hepato-esplenomegalia freqüente (sem alteração dos exames
    laboratorias)
    – Infiltração da medula óssea comum (pode haver “leucemização”)
    – Envolvimento extra-nodal: pulmão, pleura, pele, mama e trato digestivo
    – Infiltração renal e de sistema nervoso central é rara
    – Complicações: fenômenos auto-imunológicos (anemia hemolítica,
    púrpura trombocitopênica), hiperesplenismo, edema linfático.

     LNH Agressivo – células grandes – difuso (figura 4)
    – Predomínio em pacientes mais jovens
    – Adenomegalia de aparecimento abrupto e rapidamente progressivo
    (semanas ou poucos meses)
    – Hepato-esplenomegalia variável (com provas laboratoriais alteradas)
    – Infiltração medula óssea incomum

    – Envolvimento extra-nodal freqüente: trato digestivo, sistema nervoso
    central e pulmão
    – Complicações: compressão de estruturas adjacentes, sintomas “B”
    (febre, sudorese, perda de peso)

    Estagiamento
     Antes de iniciar o tratamento dos pacientes portadores de LNH faz-se necessário
    conhecer também a extensão da doença. O processo através do qual
    pesquisamos todos os possíveis sítios de acometimento da doença denominamos
    de estagiamento. Além de possibilitar a reavaliação do paciente após o
    tratamento, através das informações obtidas com o estagiamento somos capazes
    de avaliar o prognóstico e, conseqüentemente, de ajustar adequadamente o plano
    terapêutico.
     Para determinar o estagiamento são imprescindíveis os dados da história clínica
    e do exame físico, os resultados de exames laboratoriais (hemograma,
    bioquímica, sorologia) e de imagem (tomografia, cintilografia), além de biópsia
    de medula óssea e, em casos selecionados, punção liquórica. Em linhas gerais,
    os pacientes são classificados em estágios que variam de I à IV, de acordo com
    o grau de comprometimento sistêmico do organismo, sendo o estágio IV a forma
    mais avançada da doença (figura 4).

    Tratamento
     O tratamento do LNH está calçado em dois pilares: quimioterapia e radioterapia.
    A maneira pela qual os diferentes medicamentos quimioterápicos são
    combinados, e se haverá associação com radioterapia ou não, depende do tipo
    específico de LNH, do estagiamento do paciente e da experiência da equipe
    médica. Embora muitas sejam as possibilidades, os LNH indolentes tendem a
    receber tratamento com esquemas mais simples (monoquimioterapia), ao passo
    que para os LNH agressivos são reservados protocolos mais intensos
    (poliquimioterapia).
     A grande novidade em relação ao tratamento do LNH está na disponibilidade de
    uma nova arma: os anticorpos monoclonais. Os anticorpos monoclonais são
    produzidos em laboratório e dirigidos especificamente contra determinadas
    substâncias (antígenos) encontradas na superfície das células cancerígenas. Após
    a ligação do anticorpo à célula alvo há o desencadeamento de vários
    mecanismos de ação que acabam por levar à morte dessas células (figura 5).
    Desta maneira os anticorpos monoclonais atingem apenas as células doentes e
    preservam as sadias. Oferecendo aos pacientes maiores chances de cura com
    melhor qualidade de vida, possuem boa tolerabilidade, não se observando os
    efeitos colaterais relacionados à quimioterapia (alopecia, náuseas, toxicidades
    cardíaca, renal e medular óssea). O primeiro anticorpo monoclonal aprovado
    para uso comercial foi o rituximabe (MabThera® – Roche) que apresenta
    eficácia comprovada no tratamento de LNH de células B (CD20 +).

    Obs: para maiores informações sobre linfomas e outras doenças oncohematológicas,
    contatar Dr. Jorge Vaz (Cettro – Centro de Câncer de Brasília, e-mail
    jorgevaz@cettro.com.br)

  • Tomografia por Emissão de Pósitrons – PET

    Tomografia por Emissão de Pósitrons – PET

    Entre os exames aplicados na Oncologia, um dos mais poderosos é a PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons) com a qual é possível, em apenas 45 minutos, analisar o corpo inteiro, sem que o paciente seja submetido a maior exposição radioativa, e diferenciar tumores benignos de malignos, determinar a fase do câncer e monitorar o resultado do tratamento.

    A partir deste exame, o médico é capaz de decidir com segurança e rapidez como será o tratamento, se a opção é ou não a cirurgia e acompanhar a evolução do paciente.

    As vantagens versus o custo tornam a PET cada vez mais importante no diagnóstico e no acompanhamento de cânceres. Nos casos de câncer de pulmão, por exemplo, o resultado do exame modifica o tratamento proposto em cerca de 40% a 50% das situações, o que na prática, para o paciente, significa melhor qualidade de vida, menos sofrimento e até maior sobrevida. 

    Tumores malignos, geralmente, possuem metabolismo de glicose aumentado, alteração detectada pela PET, que usa o radiofármaco FDG (Fluor Deoxi Glicose), um análogo da glicose. O Instituto de Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) é um dos principais centros de produção deste radiofármaco, inteiramente produzido no Brasil.

    A PET/CT também tem grande aplicação nos linfomas, que correspondem a 8% dos tumores malignos e, em geral, acometem jovens. Com a evolução dos métodos terapêuticos, a taxa de cura a longo prazo é de mais de 80%. Mas, para tanto, é fundamental individualizar o tratamento, o que só pode ser feito com o uso de um método diagnóstico que avalia com precisão a extensão da doença e a resposta terapêutica, o que é perfeitamente realizado pela PET, uma dos exames da área da Medicina Nuclear. 

  • Ressonância Nuclear Magnética

    Ressonância Nuclear Magnética

    Técnica em que se utiliza a exposição do indivíduo a campos eletromagnéticos gerados por um aparelho de forma tubular. Estas ondas eletromagnéticas fazem as diferentes estruturas do corpo emitirem um sinal, que é captado pelo aparelho e processado, dando origem a imagens fiéis que são então analisadas.

    Na gastroenterologia, é muito utilizada para observar fígado, pâncreas e vias biliares. 

  • Tomografia Computadorizada

    Tomografia Computadorizada

    Exame realizado à base de raios-X, em que são realizados verdadeiros cortes radiográficos das regiões que interessam ao médico. As imagens são então processadas e reconstruídas por um computador, gerando imagens que são documentadas em chapas. Muitas vezes é necessário o uso de contrastes administrados pela veia.

  • Biópsia Hepática

    Biópsia Hepática

    Em uma biópsia hepática, é retirado um pequeno fragmento de tecido do fígado para que seja examinado pelo médico patologista, a fim de observar sinais de danos e doenças. Uma agulha especial é usada para obter este fragmento. O médico indica a biópsia quando exames sugerem que há alguma doença no fígado. Por exemplo: os exames de sangue podem sugerir que o fígado esteja sendo agredido por vírus ou outras causas. Um ultrassom pode sugerir que o fígado esteja aumentado de volume ou com sua textura alterada. Observar o tecido hepático em si é a melhor maneira de estabelecer o diagnóstico e de prover informações sobre o estágio da doença e seu grau de atividade.

    Preparo 

    Antes de agendar a biópsia, o médico irá solicitar exames de sangue para checar se a coagulação sanguínea está normal. Deve-se informar todas as medicações em uso atual ou recente, especialmente aquelas que afetam a coagulação como anticoagulantes, aspirina e anti-inflamatórios. Se estas medicações estiverem sendo usadas, seu uso deve ser interrompido uma semana antes do procedimento.

    Deve ser respeitado jejum de oito horas antes da biópsia. O médico irá informar se o paciente deve ou não tomar suas medicações de uso regular durante o período de jejum e pode também fornecer informações complementares. 

    O Procedimento

    A biópsia hepática é considerada uma cirurgia de pequeno porte, e por isto é feita em ambiente hospitalar. Para a biópsia, o paciente deita de barriga para cima e coloca sua mão direita atrás da cabeça. Após localizar e marcar os bordos do fígado e realizar uma anestesia local, o médico fará uma pequena incisão na porção inferior direita da caixa torácica. Por esta incisão, a agulha é avançada e retirará uma amostra de tecido hepático. Muitas vezes, o ultrassom é usado para guiar a agulha com mais segurança ou em direção a um ponto específico do fígado.

    O paciente deve ficar bem parado para que não haja acidentes como punção do pulmão ou da vesícula biliar, que estão próximos ao fígado. O médico solicitará que o paciente pare de respirar por 5 a 10 segundos enquanto a biópsia é realizada. Pode ser sentida uma pressão ou uma dor “surda”. O procedimento inteiro dura cerca de 20 minutos.

    Dois outros métodos de biópsia também estão disponíveis. Na biópsia laparoscópica, o cirurgião insere um tubo especial chamado laparoscópio através de uma incisão no abdome. O laparoscópio envia imagens do fígado a um monitor. O médico observa o monitor e usa instrumentos passados através da parede abdominal para remover amostras de tecido de uma ou mais partes do fígado.

    A biópsia transvenosa envolve a inserção de um cateter através de uma veia do pescoço. O cateter é guiado até o fígado. O médico, então, coloca uma agulha no cateter e faz a biópsia. Esta técnica pode ser usada quando há problemas de coagulação ou acúmulo de fluidos no abdome (ascite).

    Recuperação

    Depois da biópsia, é feito um curativo e o paciente deita sobre seu lado direito, comprimindo o local da biópsia, por 1 a 2 horas. A enfermeira irá monitorizar os dados vitais (pressão arterial, pulso) e o nível de dor. 

    Deve haver alguém para levar o paciente para casa, uma vez que não é permitido dirigir após o procedimento em virtude da sedação utilizada. O paciente deve ir diretamente para casa e permanecer na cama (exceto para usar o banheiro) por 8 a 12 horas, dependendo de seu médico. Além disto, deve ser evitada sobrecarga física na semana seguinte, para que a incisão e o fígado cicatrizem adequadamente. Pode ser esperada uma ardência no local da incisão e possivelmente dor no ombro direito. Esta dor é causada pela irritação do diafragma, e desaparece em algumas horas a poucos dias. O médico pode indicar o uso de analgésicos para a dor, mas deve ser evitado o uso de aspirina ou anti-inflamatórios pela primeira semana após o procedimento. Estes remédios afetam a coagulação do sangue, que é crucial para a cicatrização.

    Como qualquer cirurgia, a biópsia hepática tem seus riscos: punção do pulmão ou da vesícula, sangramento, dor e infecção; porém estas complicações são raras.