Autor: walter

  • ESTUDO MOSTRA QUE ESTIGMA EM RELAÇÃO À OBESIDADE ESTÁ SE DISSEMINANDO PELO MUNDO

    Homem obeso come em Londres

    No México, a mais recente campanha de saúde pública contra a obesidade mostra pessoas com barrigas avantajadas comendo alimentos gordurosos.

    “Eu sempre achei que a culpa é mesmo das pessoas obesas”, diz Sergio Miranda, 35, um engraxate na Cidade do México. “Essas pessoas simplesmente comem coisas que as deixam gordas, como pão e pizza”.

    Miranda diz que não percebe realmente se os seus clientes são obesos. Mas ele não deixa de observar a quantidade de pessoas gordas quando está dentro de um ônibus municipal lotado.

    “Os gordos ocupam bastante espaço”, explica Miranda. “As pessoas ficam irritadas com o desconforto”.

    Em um momento no qual autoridades mundiais da área de saúde estão intensificando os esforços no sentido de fazer frente ao problema da obesidade como uma preocupante ameaça à saúde pública, alguns pesquisadores estão advertindo para um perturbador efeito colateral: o estigma crescente em relação às pessoas obesas.

    “Podemos divulgar muitas coisas para ajudar as pessoas com esse problema em todo o mundo. Mas não queremos enviar uma mensagem vinda da área de saúde pública que transmita uma imagem realmente negativa em relação ao corpo do indivíduo e promova a falta de autoestima”, diz a médica Alexandra Brewis, diretora executiva da Escola de Evolução Humana e Mudanças Sociais da Universidade do Estado do Arizona.

    Brewis e os seus colegas concluíram um estudo conduzido em vários países com o objetivo de obter um panorama do ponto de vista internacional em relação ao peso e à imagem que se faz do corpo. As conclusões foram perturbadoras, indicando que os pontos de vista negativos em relação às pessoas que estão acima do peso poderão em breve tornar-se a norma cultural em certos países, incluindo locais onde os corpos rechonchudos e grandes eram tradicionalmente tidos como atraentes, segundo um novo artigo publicado no periódico “Current Anthropology”.

    Os pesquisadores apresentaram aos entrevistados afirmações contendo vários graus de estigmatização da obesidade, e pediram a estes que respondessem “falso” ou “verdadeiro”. O teste incluiu declarações como, “As pessoas são gordas porque são preguiçosas”, ou “Algumas pessoas estão fadadas a serem obesas”.

    Utilizando em sua maioria entrevistas pessoais, suplementadas com perguntas feitas pela Internet, os pesquisadores avaliaram os pontos de vistas de 700 pessoas distribuídas por dez países, territórios e cidades, incluindo Samoa Americana, Tanzânia, México, Porto Rico, Paraguai, Argentina, Nova Zelândia, Islândia e dois locais no Arizona e em Londres.

    Brewis diz que já esperava que altos níveis de estigma em relação à gordura surgissem na chamada “Anglosfera”, ou seja, países de língua inglesa, incluindo Estados Unidos, Reino Unido e Nova Zelândia, bem como na Argentina, onde existe grande conscientização em relação ao corpo. Mas o que ela não esperava era a intensidade com que as pessoas nos outros locais em que o teste foi aplicado manifestaram uma atitude negativa em relação ao peso. Segundo Brewis, os resultados indicam que existe uma “globalização do estigma da gordura” surpreendentemente rápida.

    “A mudança ocorreu com uma rapidez muito grande nesses locais”, diz ela.

    É verdade que as piadas e as opiniões negativas em relação ao peso existem há muito tempo. No México, por exemplo, um apelido como “gordo” não provoca nenhuma estranheza.

    Mas o que parece ter mudado é o nível das críticas e acusações contra as pessoas gordas. Um motivo para isso pode ser o fato de as campanhas de saúde pública que apresentam a obesidade como uma doença serem algumas vezes percebidas como críticas a indivíduos e não aos fatores ambientais e sociais que provocam o aumento de peso.

    “Muitas mensagens negativas na área de saúde trazem consigo uma grande carga de mensagens morais negativas”, explica Brewis.

    Surpreendentemente, os níveis de estigma foram mais elevados nos locais em que antigamente eram registradas as opiniões mais positivas em relação aos gordos, incluindo Porto Rico e a Samoa Americana.

    O médico Stephen McGarvey, professor de saúde comunitária da Universidade Brown que estuda questões de saúde da Samoa, observou que, 25 anos atrás, os indivíduos daquela regiões aos quais se mostravam silhuetas de pessoas magras e gordas, tinham uma opinião mais positiva em relação aos corpos avantajados (a exceção eram as mulheres jovens e de alto nível educacional, que demonstravam uma preferência pelas silhuetas mais esguias).

    McGarvey diz que são necessários estudos mais amplos para que se determine até que ponto isso mudou, e que é importante que as campanhas de saúde pública que têm como objetivo reduzir a incidência de diabetes e hipertensão arterial não acabem criando imagens negativas dos indivíduos obesos.

    “Um campanha pública do tipo ‘Você pode mudar’ ou ‘Isso é culpa sua’ pode ser extremamente contraproducente”, alerta McGarvey. “O estigma é uma coisa séria”.

    O que a nova pesquisa não deixou claro foi até que ponto o estigma em relação à gordura encontra-se disseminado. Tendo incluído apenas 700 pessoas, o estudo não se constitui em uma amostra representativa de cada país e reflete apenas um quadro geral dos pontos de vista culturais nas áreas estudadas. Além disso, a pesquisa só envolveu locais selecionados, não tendo incluído nenhum país asiático ou árabe.

    Na Índia, por exemplo, o fato de uma pessoa apresentar sobrepeso ou ser obesa está associado à classe média ou à riqueza, diz o médico Scott Lear, professor de ciências da saúde da Universidade Simon Fraser, em Vancouver, na província canadense de Colúmbia Britânica. Mesmo assim, Lear, que está estudando o crescimento da obesidade infantil naquela província e em todo o Canadá, concorda que há um potencial para a estigmatização.

    “Nos países desenvolvidos nós sabemos que as pessoas obesas têm menos sucesso, bem como menos chances de se casarem e de serem promovidas”, diz ele.

    Nisha Somaia, 38, que mora em Nova Déli e que criou a primeira rede de lojas de roupas para mulheres obesas na Índia, diz que as críticas dirigidas às pessoas obesas são muitas vezes diretas e ostensivas. “Na Índia, obesidade é sinônimo de preguiça e de comédia”, diz Somaia.

    Marianne Kirby, de Orlando, no Estado da Flórida, que administra o blog de aceitação da obesidade TheRotund.com, diz que a aparente disseminação do estigma em relação à gordura não é uma surpresa, ao se levar em conta a tendência mundial de classificar a obesidade como um grande ameaça à saúde.

    “A mensagem fundamental que estamos disseminando pelo mundo é que as pessoas gordas merecem a vergonha que sentem pelo fato de colocarem em risco a própria saúde”, diz Kirby, coautora do livro “Lessons From the Fat-o-Sphere”. “Nós temos difundido esta mensagem durante muito tempo. Eu não creio que ninguém esteja imune a ela”.

    Brewis observa que são necessários muito mais estudos para que se determine a extensão do estigma em relação à gordura e como isso está afetando as vidas dos indivíduos. Ela chama atenção para o fato de que o seu estudo foi elaborado apenas com o objetivo de detectar pontos de vista culturais em relação à obesidade e eles não mostram se as pessoas estão experimentando mais discriminação social ou no local de trabalho como resultado do estigma em relação à gordura.

    “Eu creio que a próxima grande questão é determinar se isso vai criar uma grande quantidade de sofrimentos que não existiam antes”, diz Brewis. “Eu acho que é importante pensarmos em criar imagens de saúde em torno da obesidade que não exacerbem o problema”.

  • ESOFAGITE EOSINOFÍLICA (EoE)

    A esofagite eosinofílica (EoE) ocorre quando um tipo de glóbulos brancos (Eosinófilos) se acumulam no esôfago e podem resultar em dificuldade para engolir, azia e refluxo.

    O que é Esofagite Eosinofílica?

    O básico sobre EoE.

    A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença encontrada no esôfago (o tubo que liga a boca e o estômago).

    EoE é o resultado de uma alergia a certos alimentos (que não são iguais para todas as pessoas).

    Ocorre quando um tipo de glóbulo branco, o eosinófilo, se acumula no esôfago, causando irritação e cicatrizes no esôfago. Alguns pacientes com EoE também terão outras áreas do trato digestivo afetadas com aumento de eosinófilos, incluindo estômago, intestino delgado e intestino grosso (cólon). Isso é raro, mas mais provável em crianças.

    EoE pode causar problemas para engolir, azia e comida presa na garganta.

    Bebês, crianças e adultos podem ter EoE. É um problema de saúde para toda a vida.

    Um gastroenterologista pode fazer testes para ver se você tem EoE.

    EoE é uma doença para toda a vida. Não há cura, mas pode ser controlada.

    Cuidar da EoE significa descobrir quais alimentos causam uma reação prejudicial ou usar certos medicamentos para controlar a doença.

    Alergia

    A EoE é classificada como uma alergia alimentar, embora cada paciente reaja a alimentos diferentes.

    Muitos pacientes com EoE também têm alergias alimentares ou ambientais. Pessoas com EoE geralmente têm outras doenças alérgicas, como rinite, asma ou eczema.

    Embora a causa exata da EoE não seja conhecida neste momento, a crença geral é que ela é normalmente causada por uma resposta imune a alimentos específicos.

    Quem pode apresentar EoE?

    • A EoE afeta pessoas de todas as idades e origens étnicas.
    • Embora homens e mulheres possam ser afetados, uma taxa mais alta é observada em homens.
    • Estima-se que a esofagite eosinofílica ocorra em 1 em cada 1.700 pessoas.
    • Certas famílias podem ter uma tendência hereditária de desenvolver EoE.

    A EoE não parece limitar a vida dos pacientes e atualmente não há dados fortes sugerindo que a EoE cause câncer de esôfago.

    Recém-diagnosticado com esofagite eosinofílica

    Para alguns, ouvir que têm EoE é um alívio, uma razão para seus sintomas e uma luz no fim do túnel. Para outros, pode ser assustador. Muitos terão uma mistura de sentimentos. Tudo isso é completamente normal.

    Não importa o que você possa estar sentindo ao ouvir que tem EoE, saiba que você não está sozinho. Se você está ficando sobrecarregado com seu novo diagnóstico, não espere para entrar em contato com um especialista em saúde mental para falar sobre as mudanças.

    Trabalhando com sua equipe de saúde (gastroenterologista, nutricionista, alergista), você pode fazer um plano de saúde e nutrição apenas para você, para ajudar a colocá-lo no controle de seus sintomas e de sua vida.

    Recursos adicionais

    Existem vários grupos de apoio para cuidadores e pacientes com EoE. Entre em contato com seu gastroenterologista, nutricionista, hospital local ou centro comunitário para obter mais detalhes.

    Perguntas a fazer para o seu médico

    • Com que frequência preciso de uma endoscopia?
    • Como faço para descobrir o que está causando meu EoE?
    • Quanto tempo isso vai durar?
    • Meus filhos podem pegar isso?

    Quais são os sintomas da esofagite eosinofílica?

    Os sintomas da EoE não são os mesmos de uma pessoa para outra.

    Abaixo estão alguns sintomas comuns e em que faixa etária eles são mais prováveis de acontecer.

    Testes para Esofagite Eosinofílica

    Descobrir que você tem EoE só pode ser feito por uma endoscopia e coleta de pequenas amostras de tecido do esôfago (o tubo que liga a boca e o estômago).

    Endoscopia

    • Uma endoscopia é feita para obter um pequeno pedaço do tecido (biópsia) do trato digestivo para examinar ao microscópio para ver se há danos.
    • Você receberá remédios para ajudar a bloquear a dor e deixá-lo relaxado e sonolento.
    • Durante a endoscopia, seu gastroenterologista usará um tubo longo, fino (aproximadamente da largura do seu dedo mindinho), flexível com uma pequena câmera na extremidade.
    • O tubo é passado pela boca e pelo esôfago até o intestino delgado enquanto seu gastroenterologista faz um exame cuidadoso.
    • Peça ao seu médico mais informações sobre endoscopia.

    Após a endoscopia, um médico testará as amostras de tecido. Se um grande número de eosinófilos (pelo menos mais que 7 por campo), o tipo de glóbulos brancos que podem causar EoE, for encontrado no tecido, é provável que você tenha EoE.

    Próximos passos

    Se sua amostra de tecido disser que você tem EoE.

    Seu gastroenterologista conversará com você sobre os melhores próximos passos para você. As opções possíveis podem ser:

    • Seu gastroenterologista lhe dará informações sobre opções de dieta e medicamentos.
    • Seu gastroenterologista pode colocá-lo em contato com um nutricionista para ajudá-lo a aprender mais sobre testes de alimentos e dietas de eliminação que podem ajudar.

    Se seus testes não mostrarem EoE, algumas opções que seu médico pode lhe dar são:

    • Rastreando seus sintomas.
    • Rastreando sua dieta.
    • Considerando outros testes e medicamentos.

    Tratamento

    As três principais opções para cuidar de sua esofagite eosinofílica (EoE) são mudanças em sua dieta, uso de certos medicamentos e dilatação esofágica.

    Junto com seu gastroenterologista, você também precisa consultar um nutricionista para essa condição. Seu gastroenterologista e nutricionista conversarão com você sobre quais opções são melhores para o seu caso de EoE.

    Dieta

    Existem algumas opções de dieta que podem ajudá-lo a cuidar do seu EoE. Não inicie nenhuma dessas dietas, a menos que seu médico ou nutricionista lhe diga para fazê-lo:

    • Dietas de eliminação direcionadas: os alimentos com teste positivo no teste de alergia são removidos da dieta.
    • Dieta de eliminação de seis alimentos: Este tipo de dieta tem mostrado sucesso em alguns pacientes. Em vez de se livrar dos alimentos com base nos resultados dos testes de alergia, os pacientes se livram dos alimentos comuns causadores de alergia (leite, ovos, trigo, soja, amendoim/nozes e peixe/marisco).
    • Dieta elementar: Todas as fontes de proteína são removidas da dieta e o paciente bebe apenas uma fórmula de aminoácidos. Às vezes, um tubo de alimentação pode ser necessário.
    • Teste alimentar: Alimentos específicos são removidos da dieta e depois adicionados de volta, um de cada vez, para descobrir quais alimentos causam uma reação.

    O manejo da dieta envolve endoscopias repetidas com amostra de tecido à medida que os alimentos são reintroduzidos para descobrir quais alimentos são tolerados.

    Tratamento medicamentoso para a EoE

    Alguns medicamentos ajudam a tratar ou aliviar a dor da EoE em certos pacientes:

    • Imunobiológicos — Um novo tipo de medicamento aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para tratar EoE. O dupilumabe é administrado por injeção e tem como alvo certos fatores alérgicos para ajudar a interromper a inflamação. O seu médico pode informá-lo se este medicamento é adequado para si.
    • Esteróides tópicos – Estes são engolidos de um inalador de asma ou de uma mistura para controlar a EoE.
    • Inibidores da bomba de prótons (IBPs) – São usados com mais frequência para refluxo, mas podem ser úteis na EoE. Podem ajudar a aliviar os sintomas de refluxo em alguns pacientes em combinação com terapia dietética ou medicamentos

    Ainda com sintomas?

    Pode ser frustrante, ou até assustador, continuar tendo sintomas. A primeira pergunta a se pensar é: se você está seguindo restrições ou planos alimentares específicos, está consumindo o alérgeno por engano?

    Se você estiver em um plano de gerenciamento de alimentos ou medicamentos, e seus sintomas estiverem presentes por pelo menos seis meses, você deve falar com seu médico gastrointestinal sobre tentar os dois ao mesmo tempo para ajudar seus sintomas de EoE ou sobre outras opções que você possa ter.

    Complicações

    Em alguns pacientes, a EoE é agravada pelo progresso do estreitamento esofágico (estenoses), que pode fazer com que os alimentos se alojem no esôfago (o tubo que liga a boca e o estômago), o que é chamado de impactação. Isso também pode tornar a alimentação muito difícil e dolorosa para crianças e adultos.

    Às vezes, uma endoscopia digestiva alta de emergência deve ser feita para remover o alimento que está alojado e obstruindo o esôfago ou até mesmo programar sessões de dilatação esofágica.

    Dilatação Esofágica

    Em alguns pacientes, pode haver cicatrizes e estreitamento do esôfago (o tubo que liga a boca e o estômago) que a dietoterapia ou os medicamentos podem não tratar. Como resultado, alguns pacientes podem precisar ter essa área do esôfago dilatada.

    A dilatação esofágica (alongamento) pode ser feita no momento de uma endoscopia. Freqüentemente, um balão é inserido através do tubo flexível e, em seguida, explodido na área de estreitamento para esticar essa área aberta. Isso pode ser útil para aliviar a sensação de que os alimentos grudam na deglutição.

    Fazer este procedimento tem um pequeno risco de ocorrer sangramento ou um buraco no esôfago (perfuração). Raramente, essas complicações precisam ser tratadas com intervenção cirúrgica.

  • DOENÇA PILONIDAL

    O que é doença pilonidal e o que a causa?

    A doença pilonidal, ou também chamada de Cisto Pilonidal, é uma infecção crônica da pele na região da prega da nádega (Figura 1). A condição resulta de uma reação a pêlos embutidos na pele, comumente ocorrendo na fenda entre as nádegas. A doença é mais comum em homens do que em mulheres e ocorre frequentemente entre a puberdade e os 40 anos. Também é comum em pessoas obesas e naquelas com pêlos grossos e rígidos.

    Figure 1: A doença pilonidal é uma infecção crônica da pele na área da prega das nádegas. Duas pequenas aberturas são mostradas (A).

    Quais sâo os sintomas?

    Os sintomas variam de uma pequena covinha a uma grande massa dolorosa. Muitas vezes, a área drena fluido que pode ser claro, turvo ou sangrento. Com a infecção, a área fica vermelha, sensível e a drenagem (pus) terá um odor desagradável. A infecção também pode causar febre, mal-estar ou náusea.

    Existem vários padrões comuns desta doença. Quase todos os pacientes têm um episódio de abscesso agudo (a área está inchada, sensível e pode drenar pus). Depois que o abscesso se resolve, sozinho ou com assistência médica, muitos pacientes desenvolvem um seio pilonidal. O seio é uma cavidade abaixo da superfície da pele que se conecta à superfície com uma ou mais pequenas aberturas ou tratos. Embora alguns desses tratos sinusais possam se resolver sem terapia, a maioria dos pacientes precisa de uma pequena operação para eliminá-los.

    Um pequeno número de pacientes desenvolve infecções recorrentes e inflamação desses tratos sinusais. A doença crônica causa episódios de inchaço, dor e drenagem. A cirurgia é quase sempre necessária para resolver essa condição.

    Como a doença pilonidal é tratada?

    O tratamento depende do padrão da doença. Um abscesso agudo é tratado com uma incisão e drenagem para liberar o pus e reduzir a inflamação e a dor. Este procedimento geralmente pode ser realizado no consultório com anestesia local. Um seio nasal crônico geralmente precisará ser excisado ou aberto cirurgicamente.

    A doença complexa ou recorrente deve ser tratada cirurgicamente. Os procedimentos variam desde a abertura do telhado dos seios até a excisão (Figura 2) e possível fechamento com retalhos. Operações maiores requerem tempos de cicatrização mais longos. Se a ferida for deixada aberta, serão necessários curativos para mantê-la limpa. Embora possa levar várias semanas para cicatrizar, a taxa de sucesso com feridas abertas é maior. O fechamento com retalhos é uma operação maior e com maior chance de infecção; no entanto, pode ser necessário em alguns pacientes. Seu cirurgião discutirá essas opções com você e o ajudará a selecionar a operação apropriada.

    Figura 2: O desenho B é uma vista lateral que mostra como a maior parte da inflamação está profundamente sob a pele, fora do cóccix. A linha tracejada mostra como ela pode ser aberta ou destelhada. A linha tracejada no desenho C mostra a excisão de todo o tecido inflamado.

    Quais cuidados são necessários após a cirurgia?

    Se a ferida puder ser fechada, ela precisará ser mantida limpa e seca até que a pele esteja completamente curada. Se a ferida precisar ser deixada aberta, serão necessários curativos para ajudar a remover as secreções e permitir que a ferida cicatrize de baixo para cima. Após a cicatrização, a pele do vinco das nádegas deve ser mantida limpa e livre de pelos. Isso é feito barbeando ou usando um agente de depilação a cada duas ou três semanas até os 30 anos. Após os 30 anos, a haste do cabelo fica mais fina, torna-se mais macia e a fenda nas nádegas torna-se menos profunda.

  • DOENÇA DIVERTICULAR DO CÓLON

    A diverticulose ou Doença Diverticular do cólon é um problema comum que afeta cerca de 50% dos americanos na faixa dos 60 anos e quase todos na faixa dos 80 anos. Apenas uma pequena porcentagem de pessoas com Doença Diverticular apresenta sintomas e um número ainda menor precisa de tratamento cirúrgico.

    O que são diverticulose e diverticulite?

    Divertículos são bolsas que se formam nas paredes do cólon, geralmente no lado esquerdo ou cólon sigmóide, mas podem abranger todo o cólon. A Doença Diverticular descreve a presença dessas bolsas. A diverticulite descreve inflamação ou complicações devido a essas bolsas.

    Quais são os sintomas da doença diverticular?

    http://www.fascrs.org/associations/1843/files/Diveriticular.jpgA doença diverticular não complicada geralmente não está associada a sintomas. Os sintomas são devidos a complicações da doença diverticular, incluindo diverticulite e hemorragia. A doença diverticular é uma causa comum de sangramento significativo do cólon.

    A diverticulite, uma infecção dos divertículos, pode causar um ou mais dos seguintes sintomas: dor no abdômen, calafrios, febre e alterações nos movimentos intestinais.

    Quais são as causas da doença diverticular?

    A causa da Doença Diverticular e da diverticulite não são conhecidas com precisão, mas são mais comum em pessoas que comem uma dieta pobre em fibras. Acredita-se que comer uma dieta pobre em fibras por vários anos crie aumento da pressão sobre o cólon e forme as bolsas ou divertículos.

    Como a doença diverticular é tratada?

    Comer mais fibras alimentares (grãos, legumes, vegetais, etc.) e, às vezes, limitar certos alimentos reduz a pressão no cólon e pode diminuir o risco de complicações devido à doença diverticular.

    A diverticulite precisa de um tratamento diferente. Casos leves podem ser tratados com antibióticos orais, restrições alimentares e, possivelmente, amolecedores de fezes. Os casos mais graves requerem hospitalização com antibióticos intravenosos e restrições alimentares. Os ataques mais agudos podem ser aliviados com esses métodos.

    O tratamento cirúrgico é reservado para pacientes com diverticulite recorrente, complicações ou ataques graves quando há pouca ou nenhuma resposta à medicação. A operação também é necessária em pessoas que têm um único sangramento importante devido à doença diverticular ou com sangramento recorrente. O tratamento cirúrgico da diverticulite remove a parte doente do cólon, mais comumente, o lado esquerdo ou o cólon sigmóide. O cólon é reconectado ao reto ou “anastomose”. A recuperação total é viável. A função intestinal normal é retomada em cerca de três semanas. Em cirurgias de emergência, os pacientes precisam de uma bolsa de colostomia temporária. Para evitar complicações, os pacientes são aconselhados a procurar atendimento médico precoce para sintomas abdominais.

  • DOENÇA DE CROHN

    http://www.fascrs.org/associations/1843/files/Crohns-1-Spanish.jpgO que é a doença de Crohn?

    A doença de Crohn é um processo inflamatório crônico do trato intestinal principalmente. Embora possa afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, afeta mais comumente a porção inferior do intestino delgado (íleo) ou o intestino grosso (cólon e reto).

    A doença de Crohn é uma condição crônica e pode se repetir várias vezes durante a vida. Algumas pessoas têm períodos prolongados de remissão, às vezes por anos, quando não apresentam sintomas. Não há como prever quando uma remissão pode ocorrer ou os sintomas se repetirão.

    Quais são os sintomas da doença de Crohn?

    Como a doença de Crohn pode afetar qualquer parte do intestino, os sintomas podem ser muito diferentes de paciente para paciente. Os sintomas comuns incluem cólicas, dor abdominal, diarreia, febre, perda de peso e sensação de empachamento. Nem todos os pacientes apresentam todos esses sintomas e alguns não apresentam nenhum deles. Outros sintomas podem incluir dor ou corrimento anal, lesões cutâneas, abscessos retais, fissuras e dor nas articulações (artrite).

    Sintomas comuns da Doença de Crohn:

    ·                           Cólica abdominal

    ·                           Diarréia

    ·                           Febre

    ·                           Perda de peso

    ·                           Empachamento

    ·                           Dor ou secreção anal

    ·                           Lesões cutâneas

    ·                           Abscesso retal

    ·                           Fissura anal

    ·                           Dores articulares

    Quem é afetado por esta doença?

    Pode afetar pessoas de qualquer idade, mas a maioria dos pacientes são adultos jovens entre 16 e 40 anos. A doença de Crohn ocorre mais comumente em pessoas que vivem em climas do norte. Afeta homens e mulheres igualmente e parece ser mais comum em algumas famílias. Cerca de 20% das pessoas com doença de Crohn têm um parente, irmão ou irmã e, às vezes, um pai ou filho que tem algum tipo de doença inflamatória intestinal.

    A doença de Crohn é semelhante a chamada colite ulcerativa e são frequentemente agrupadas como doenças inflamatórias intestinais. Estima-se que ambas as doenças afetem aproximadamente dois milhões de pessoas nos Estados Unidos.

    O que causa a doença de Crohn?

    A causa exata é desconhecida. No entanto, as teorias atuais se concentram em uma causa imunológica (o sistema de defesa do corpo) ou em uma causa bacteriana. A doença de Crohn não é contagiosa, mas tem uma ligeira tendência genética (herdada). Um estudo radiológico do intestino delgado pode ser usado para diagnosticar a doença de Crohn.

    Como a doença de Crohn é tratada?

    O tratamento inicial é quase sempre com medicação. Não há “cura” para a doença de Crohn. No entanto, a terapia medicamentosa com um ou mais medicamentos fornece um meio de tratar a doença em seus estágios iniciais e aliviar os sintomas. Os medicamentos mais comumente prescritos são corticosteróides, como prednisona e metilprednisolona e vários agentes anti-inflamatórios e mais recentemente os imunobiológicos.

    Outros medicamentos às vezes usados incluem 6-mercaptopurina e azatioprina, que são imunossupressores. O metronidazol, um antibiótico com efeitos no sistema imunológico, costuma ser útil para pessoas com doença anal.

    Em casos mais avançados ou complicados da doença de Crohn, o tratamento cirúrgico pode ser recomendado. Às vezes, a operação de emergência é necessária quando ocorrem complicações com a doença de Crohn, como perfuração do intestino, obstrução (bloqueio) do intestino ou sangramento significativo. Outros sinais menos urgentes da necessidade de cirurgia podem incluir formação de abscesso, fístulas (comunicações intestinais anormais), doença anal grave ou persistência da doença apesar do tratamento medicamentoso adequado.

    Nem todos os pacientes que apresentam essas ou outras complicações precisam de tratamento cirúrgico. A consulta com o gastroenterologista e o cirurgião de cólon e reto ajuda a tomar uma decisão melhor.

    A operação para tratar a doença de Crohn não deve ser completamente evitada?

    Embora seja verdade que o tratamento inicial preferido é a terapia médicamentosa, é importante observar que, mais cedo ou mais tarde, até 75% dos pacientes com doença de Crohn precisam de operação. Muitos pacientes sofrem desnecessariamente devido à crença equivocada de que o tratamento cirúrgico como tratamento para a doença de Crohn é perigoso ou que causa complicações inevitáveis.

    A operação não é “curativa”, embora muitos pacientes não precisem de operações adicionais. Um procedimento conservador é frequentemente seguido, o mais comum dos quais é a ressecção intestinal limitada (remoção da parte doente do intestino). A operação às vezes fornece alívio eficaz e duradouro dos sintomas e muitas vezes limita ou elimina a necessidade de uso contínuo de medicamentos prescritos. É melhor que um médico com conhecimento e experiência no tratamento da doença de Crohn realize a operação.

  • DIETA DE ELIMINAÇÃO DE SEIS ALIMENTOS (FOOD SEPS)

    A dieta de eliminação de seis alimentos (SFED) costuma ser um tratamento bem-sucedido para pacientes com esofagite eosinofílica (EoE).

    O que é EoE e EGID?

    A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença alérgica crônica (vitalícia) do esôfago (o tubo que liga a boca e o estômago). 

    Distúrbios gastrointestinais eosinofílicos (EGIDs) podem ocorrer quando há altos níveis de eosinófilos em uma ou mais partes do sistema digestivo. 

    Esses distúrbios ocorrem quando um tipo de glóbulo branco envolvido em reações alérgicas, o eosinófilo, se acumula no esôfago ou em outra parte do trato digestivo. Causa inflamação, inchaço e dificuldade para engolir. Saiba mais sobre a EoE, incluindo sintomas, fatos e como fazer o teste.

    Descobrir que você tem EoE ou EGID só pode ser feito por uma endoscopia (um teste que seu gastroenterologista faz para ver dentro de parte do seu sistema digestivo) e coletando pequenas amostras de tecido do esôfago. 

    O que é uma dieta de eliminação de seis elementos?

    O tipo mais comum de dieta de eliminação de alimentos é a dieta de eliminação de seis alimentos (SFED).

    • Esse tipo de dieta tem mostrado sucesso em cerca de 70% dos pacientes.
    • Em vez de retirar alimentos com base nos resultados dos testes de alergia, você deixará de comer alimentos comuns que causam alergia (leite, ovos, trigo, soja, amendoim / nozes, peixe / marisco).
    • Esse processo geralmente dura cerca de seis a oito semanas antes de você fazer uma endoscopia de acompanhamento.
    • Se o seu quadro de EoE não estiver ativo após a eliminação da dieta, a reintrodução de alimentos em série pode começar a identificar quais alimentos estão causando sua alergia. Normalmente, um a dois alimentos são reintroduzidos por vez, e uma endoscopia de acompanhamento pode confirmar a atividade da doença em resposta aos alimentos adicionados.

    Escolhendo alimentos seguros e saudáveis na dieta de eliminação de seis alimentos:

    GrainsProteinsFruits and vegetables
    5+ servings daily
    Daily AlternativeFats and oils
    Quinoa, rice, corn, corn productsChicken, turkey, pork, beef, lambFresh, canned, frozen, or dried fruit and juicesCoconut milk and yogurtAvocado
    Potatoes/sweet potatoesProtein powders: rice, hemp, pea, quinoaFresh, canned or frozen vegetablesFresh, canned or frozen vegetablesOils, including olive, avocado, vegetable oils*
    Millet, tapioca, teff, buckwheatSeeds and sunflower seed butterVegan cheese products (soy-free)**Dairy free and soy free margarine
    Dairy free and soy free margarineVegan mayo

    * Os óleos de soja altamente refinados encontrados no óleo vegetal geralmente não contêm proteína de soja e são permitidos no SFED. Óleos prensados a frio podem ser fontes de proteína de soja e devem ser evitados.

    Evitar a contaminação cruzada.

    Evitar alergenos e reduzir a contaminação cruzada pode melhorar o seu desempenho na dieta:

    • Fique longe de saladas, bufês e bares quentes onde alimentos e utensílios de servir, garfos, facas, etc., podem ser misturados.
    • Não use caixas e condimentos a granel em restaurantes onde as proteínas dos alimentos podem se misturar.
    • Não coma frituras de restaurantes, pois o óleo também pode ser usado para fritar alimentos com trigo ou outros alergenos.
    • Informe-se nos restaurantes e peça o manuseio seguro de alimentos, como o uso de luvas limpas, superfícies limpas de preparação e cozimento e utensílios limpos.
    • Conte aos amigos e familiares sobre suas alergias alimentares para que eles possam ajudar a oferecer alimentos seguros.
    • Traga suprimentos e lanches para eventos sociais, caso alimentos seguros não estejam disponíveis.
    • Escolha aveia sem glúten, pois a aveia normal estará contaminada com trigo.

    Exemplo de menu em 1 dia no SFED:

    Café da manhã

    • 1 xícara de aveia sem glúten: cubra com 1 colher de sopa de sementes de linhaça, 1/2 xícara de mirtilos e 1 xícara de leite de coco fortificado com cálcio (ou outro leite permitido)
    • Café ou Chá

    Almoço

    • 2 xícaras de salada verde mista com vegetais de sua escolha, 130 a 170 g de frango grelhado, sementes de girassol e vinagrete caseiro ou azeite e vinagre
    • 1/2 xícara de morangos fatiados

    Lanches (1 a 3 vezes/dia)

    • 2 bolos de arroz integral com 2 colheres de sopa de manteiga de semente de girassol e fatias de maçã
    • Iogurte de coco e frutas vermelhas

    Jantar

    • 120 g de bife de frango grelhado
    • 1 batata-doce média assada com manteiga orgânica sem soja
    • 1/2 xícara de sorvete de frutas vermelhas

    Água gaseificada

  • COLONOSCOPIA VIRTUAL ATRAVÉS DE TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA

    A colonoscopia virtual (VCT) utiliza imagens radiográficas obtidas pela tecnologia de Tomografia Computadorizada com o objetivo de renderizar imagens bidimensionais e tridimensionais do cólon. A técnica está evoluindo rapidamente e parece promissora como um método adjuvante para realizar exames de triagem para câncer colorretal. Os pacientes ainda precisam de um preparo intestinal mecânico para remover as fezes sólidas e um período de tempo em uma dieta líquida clara. O cólon é insuflado por meio de um tubo colocado via anal usando ar ambiente.

    O paciente é fotografado e um programa de software computadorizado extrai as imagens do cólon insuflado, gera uma linha central automatizada para navegação e subtrai o fluido residual opacificado no lúmen. O observador é então capaz de realizar um exame virtual do cólon. O uso da visualização bidimensional e tridimensional otimiza a identificação de pólipos e outras lesões.

    As primeiras avaliações do VCT foram limitadas, baseadas principalmente no uso de visões bidimensionais. Um estudo recente relatou uma sensibilidade de 93,8% para pólipos >7 mm e 88,7% para pólipos com pelo menos 6 mm de diâmetro. A sensibilidade e especificidade neste estudo foram equivalentes à colonoscopia óptica. O VCT identificou dois pólipos malignos, um dos quais não foi detectado na colonoscopia óptica.. Em outro estudo foi relatado 100% de sensibilidade para cânceres, 100% para pólipos >1 cm e 83% para pólipos de 6-9 mm. Esses autores foram capazes de reduzir a exposição à radiação usando um dispositivo multidetector (1,8-2,4 mSv em comparação com 4,4-6,7 mSv em outros estudos). Observou-se ausência de alterações hemodinâmicas durante o VCT em comparação com um aumento de 30 vezes na hipotensão e uma taxa mais alta de bradicardia com colonoscopia óptica.

    O VCT parece oferecer uma promessa significativa como uma modalidade de rastreamento em populações de risco moderado. Evita a necessidade e os riscos de sedação, evita o risco de perfuração do instrumento com a  colonoscopia óptica e compara favoravelmente o consumo de tempo (15 minutos para aquisição de imagens e, na melhor das hipóteses, em circunstâncias ideais, 15 minutos para interpretação). O VCT ideal requer um scanner de tomografia computadorizada com vários detectores para alta velocidade e melhor resolução. A desvantagem é que os pacientes precisam de preparação intestinal mecânica e aqueles com suspeita de lesão precisarão ser encaminhados para uma colonoscopia óptica ou serão necessários arranjos para colonoscopia sob demanda de testes positivos. Mais dados são necessários para apoiar a transição completa do rastreamento do câncer colorretal para o VCT. Os recursos adicionais de tomografia computadorizada, técnicos e radiologistas também serão significativos.

  • COLITE ULCERATIVA

    O que é colite ulcerativa?

    http://www.fascrs.org/associations/1843/files/colitis1.gifA colite ulcerativa é uma inflamação do revestimento do intestino grosso (cólon). Os sintomas incluem sangramento retal, diarreia, cólicas abdominais, perda de peso e febre. Além disso, os pacientes que tiveram colite ulcerativa extensa por muitos anos correm um risco aumentado de desenvolver câncer de intestino grosso. A causa da colite ulcerativa permanece desconhecida.

    Como a colite ulcerativa é tratada?

    O tratamento inicial da colite ulcerativa é medicamentoso, usando antibióticos e medicamentos anti-inflamatórios (medicamentos como Alzulfidina, Prednisona, etc.). Estes são geralmente necessários a longo prazo. A prednisona tem efeitos colaterais significativos e, portanto, geralmente é usada por curtos períodos. Os “surtos” da doença geralmente podem ser tratados aumentando a dosagem de medicamentos ou adicionando novos medicamentos, como a 6-Mercaptopurina. A hospitalização pode ser necessária para colocar o intestino para descansar.

    Quando a cirurgia é necessária?

    A cirurgia é indicada para pacientes que apresentam complicações com risco de vida de doenças inflamatórias intestinais, com sangramento maciço, perfuração ou infecção. Também pode ser necessário para quem tem a forma crônica da doença, que falha na terapia medicamentosa. É importante que o paciente esteja confortável com o fato de que toda a terapia medicamentosa razoável foi tentada antes de considerar a terapia cirúrgica. Além disso, pacientes com colite ulcerativa de longa data e que apresentam sinais de câncer podem ser candidatos à remoção do cólon, devido ao aumento do risco de desenvolver câncer. Mais frequentemente, esses pacientes são acompanhados cuidadosamente com colonoscopia e biópsia repetidas, e somente se forem identificados sinais pré-cancerosos é que a cirurgia é recomendada.

    Quais operações estão disponíveis?http://www.fascrs.org/associations/1843/files/colitis2.gif

    Historicamente, a operação padrão para colite ulcerativa tem sido a remoção de todo o cólon, reto e ânus. Esta operação é chamada de proctocolectomia (Figura A) e pode ser realizada em uma ou mais etapas. Cura a doença e elimina todo o risco de desenvolver câncer no cólon ou no reto. No entanto, esta operação requer a criação de uma ileostomia de Brooke (trazendo a extremidade do intestino remanescente através da parede do abdômen, Ilustração B) e o uso crônico de uma bolsa na parede abdominal para coletar resíduos do intestino.

    A ileostomia continente (Ilustração C) é semelhante a uma ileostomia de Brooke, mas um reservatório interno é criado. O intestino ainda passa pela parede abdominal, mas não é necessária uma bolsa externa. O reservatório interno é drenado três a quatro vezes ao dia, inserindo um tubo no reservatório. Essa opção elimina os riscos de câncer e os riscos de colite persistente recorrente, mas o reservatório interno pode começar a vazar e exigir outro procedimento cirúrgico para revisar o reservatório.

    Alguns pacientes podem ser tratados com a remoção do cólon, com preservação do reto e do ânus. O intestino delgado pode então ser reconectado ao reto e a continência preservada. Isso evita uma ileostomia, mas os riscos de colite ativa continuam, aumento da frequência fecal, urgência e câncer no reto retido permanecem.

    Existem outras alternativas cirúrgicas?

    http://www.fascrs.org/associations/1843/files/colitis5.gifO procedimento ileoanal é a mais nova alternativa para o tratamento da colite ulcerativa. Este procedimento remove todo o cólon e reto, mas preserva o canal anal. O reto é substituído pelo intestino delgado, que é remodelado para formar uma pequena bolsa. Normalmente, uma ileostomia temporária é criada, mas ela é fechada alguns meses depois. A bolsa atua como um reservatório para ajudar a diminuir a frequência das fezes. Isso mantém uma rota normal de defecação, mas a maioria dos pacientes experimenta de cinco a dez evacuações por dia. Esta operação praticamente elimina o risco de colite ulcerativa recorrente e permite que o paciente tenha uma rota normal de evacuação. Os pacientes podem desenvolver inflamação da bolsa ileal, o que requer tratamento com antibióticos. Em uma pequena porcentagem de pacientes, a bolsa ileal não funciona corretamente e pode ter que ser removida. Se a bolsa ileal for removida, uma ileostomia permanente provavelmente será necessária.

    Qual alternativa é preferida?

    É importante reconhecer que nenhuma dessas alternativas torna “normal” um paciente com colite ulcerativa. Cada alternativa tem vantagens e desvantagens perceptíveis, que devem ser cuidadosamente compreendidas pelo paciente antes de selecionar a alternativa que permitirá ao mesmo buscar a mais alta qualidade de vida.

  • BRASIL PODE ALCANÇAR EUA EM OBESIDADE INFANTIL

    As crianças e adolescentes brasileiros estão chegando perto dos americanos da sua faixa etária em índices de obesidade e, se não se cuidarem, poderão se tornar os novos gordinhos do século XXI indica um estudo inédito de pesquisadoras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). O trabalho do Departamento de Medicina Integral, Familiar e Comunitária da Uerj analisou 260 alunos de 10 a 19 anos de uma escola pública no Rio de Janeiro e verificou que 15,6% estavam acima do peso recomendado para a sua faixa etária e 11,7% já poderiam ser consideradas obesos.

    Nos Estados Unidos, 17% estão nessa situação, embora essa categoria não seja adotada. “Em uma geração, essa situação já pode estar muito parecida com a dos Estados Unidos”, afirma a médica de família Débora Teixeira, uma das autoras do estudo. “Nossos padrões alimentares copiam muito o dos americanos: muito açúcar, muito carboidrato.”

    No Brasil, uma criança tem excesso de peso quando está acima do percentil 85 da curva de índice de massa corporal ideal (IMC) para a sua faixa etária; para ser considerado obeso, é preciso ultrapassar o percentil 95.

    O IMC é calculado pela divisão do peso em quilos pela altura da pessoa ao quadrado. No caso de adultos, uma pessoa é considerada acima do peso quando tem um IMC acima de um número determinado. Para as crianças, foi desenvolvido um gráfico em curva com base em IMCs de crianças do mundo todo. Dessa forma, o índice é inserido em uma faixa mais flexível do que a tabela utilizada para adultos. “Se uma criança estiver no percentil 85, significa que ela está acima de 85% das crianças daquela faixa etária. Por isso, ela é considerada acima do peso.”

    Nos Estados Unidos, o Centro para Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) só considera acima do peso quem estiver no percentil 95. Mas especialistas como o pediatra Mark Jacobson, da Associação Americana de Pediatria, já consideram a saúde de uma criança comprometida no percentil 85. Segundo Jacobson, se o cálculo incluísse o percentil 85, no Estado de Nova York, por exemplo, 42% das crianças já poderiam ser consideradas com “excesso de peso”.

    No caso da escola de Vila Isabel analisada pela Uerj, por exemplo, crianças acima do peso e obesas somam 27,3%. Teixeira diz que o estudo da Uerj retrata uma realidade específica, de uma escola urbana freqüentada por alunos da classe C, mas indica um quadro observado com cada vez mais freqüência no País. “A gente sabe que o problema está piorando, esse estudo ajuda a gente a ter uma noção se essas pessoas vão melhorar ou não.”

  • BRASIL DEVE PASSAR DO 8º PARA O 4º LUGAR NO RANKING MUNDIAL DE ADULTOS COM DIABETES

    Até 2025, o Brasil deverá passar do oitavo para o quarto lugar no ranking mundial de pessoas maiores de 18 anos com diabetes. O número de brasileiros com essa faixa etária que vivem com a doença chegará a 17,6 milhões – quase 2,5 vezes mais que os atuais 7,3 milhões de adultos. O aumento significa cerca de 650 mil novos casos por ano. Em todo o mundo, estima-se que haja 246 milhões de pessoas com diabetes. Até 2025, esse número deve chegar a 380 milhões, segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), entidade vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Como a preocupação mundial refere-se ao avanço da doença em crianças e adolescentes, o Ministério da Saúde preparou uma pesquisa para identificar a população jovem com a doença. A investigação sobre a prevalência de diabetes entre adolescentes, prevista para começar em 2009, é essencial para que o governo saiba quais os fatores de risco e reforçar mecanismos de prevenção e de atendimento.