Colelitíase

Colelitíase (Pedra na Vesícula):

 
O QUE É?
Pedra ou cálculo na vesícula é uma doença bastante comum. Cera de 10% das pessoas tem pedra (cálculo) na vesícula. Mais de 10 milhões de brasileiros tem esse tipo de problema. Qualquer pessoa pode ter pedras na vesícula, mas algumas têm maior possibilidade, como:
- Idade. Apesar de esta doença poder acometer até crianças, ela aumenta com a idade e é mais comum nos adultos e idosos.
- Mulher. As pedras da vesícula são mais comuns nas mulheres do que nos homes, principalmente nas que já ficaram grávidas.
- Obesidade. Quanto mais gordo, maior a possibilidade de ter pedra na vesícula. Entretanto, os magros também podem ter cálculos.
- Hereditariedade. As pessoas que têm familiares com cálculos possuem mais chance de ter esta doença do que os que não têm.
 
COMO A PEDRA (CÁLCULO) É FORMADA?
A bile é produzida no fígado e é eliminada no intestino. A bile ajuda na digestão de alimentos gordurosos. Ela contém várias substâncias, entre as quais colesterol e pigmentos. Quando algumas dessas substâncias aumentam em quantidade na bile, elas podem se depositar na vesícula. Com o passar do tempo (dias, meses e anos), estes depósitos se unem e formam pedras.
Outros locais do organismo, como o rim, bexiga e o canal da saliva e o da lágrima também podem formar pedras. Mas, as pedras desses locais são diferentes das pedras da vesícula.
 
COMO SÃO AS PEDRAS?
O número, tamanho, forma e cor das pedras da vesícula são bastante variáveis. Algumas pessoas só têm uma pedra, enquanto outras têm mais de 1000. Da mesma forma, as pedras podem variar de tamanho de 1 mm (grão de areia) até 10 ou 15 cm.
 
SINTOMAS E COMPLICAÇÕES
A pedra na vesícula pode ocasionar sintomas intensos e graves, sendo os mais comuns:
- Dor intensa no abdômen (barriga) – no lado direito ou “na boca do estômago”. Esta dor geralmente dura de 30 minutos a 2 horas, mas quando for mais prolongada pode indicar que esta ocorrendo uma complicação.
- Náuseas (enjôo) e vômitos.
- Inflamação ou infecção da vesícula.
- Icterícia (amarelão).
- Febre.
- Pancreatite aguda.
A maioria dos pacientes que tem pedra na vesícula nunca teve sintomas. Não existem dados médicos que permitam determinar quais pacientes terão sintomas. Entretanto, quando o paciente apresenta um dos sintomas acima citados, a possibilidade de repetir o mesmo sintoma ou apresentar uma complicação é muito grande. Assim, nesta situação é importante procurar tratamento.
A possibilidade de uma pessoa apresentar sintomas ou complicações independe do número ou do tamanho das pedras.
Às vezes, apenas uma pedra pequena pode ocasionar complicações muito graves, como pancreatite aguda.
 
DIAGNÓSTICO
O melhor método para diagnosticar pedra na vesícula é a ultra-sonografia ou ecografia do abdômen superior. A tomografia pode não mostrar as pedras em um grande número de pacientes.
 
TRATAMENTO
“única” forma de tratamento da pedra ou cálculo da vesícula é a retirada da vesícula biliar (colecistectomia). Outros tratamentos, como litotripsia (“quebrar a pedra” com aparelhos especiais) e medicamentos para dissolver a pedra, não dão bons resultados e não devem ser usados, pois só atrasam o tratamento correto.
Atualmente o tratamento da pedra na vesícula foi muito simplificado, desde que o paciente não apresente complicações. A retirada da vesícula pode ser facilmente realizada por via laparoscópica na maioria dos pacientes (“operação dos furinhos ou a laser”), sem a necessidade de fazer um corte grande no abdômen. Ema casos de exceção (doença grave ou complicada e variações anatômicas p.ex.) não é possível concluir a operação pela técnica laparoscópica e nesses casos há necessidade de se fazer uma incisão (corte – conversão) maior no seu abdômen para terminar a operação.
Mesmo pacientes assintomáticos, com achado incidental do diagnóstico de pedra na vesícula devem considerar a opção de tratamento cirúrgico devido a possibilidade de complicação séria já como primeiro sintoma, principalmente em pacientes onde qualquer complicação, por menor que seja pode comprometer muito o estado geral (idosos, cardiopatas, diabéticos). É melhor uma operação eletiva cercada de todo um preparo, do que uma operação de urgência, onde nem sempre conseguimos operar o paciente no melhor do seu estado.
 
DIETA APÓS A RETIRADA DA VESÍCULA
Não há necessidade de se modificar a sua alimentação permanentemente após a retirada da vesícula, pois a única função da vesícula é a de armazenar bile e não de produzi-la. A produção da bile pelo fígado continua normal após a retirada da vesícula. Em raros casos há episódios de diarréia associados à ingestão gordurosa.
É aconselhável apenas a redução da quantidade de alimentos gordurosos nos primeiros 30 dias para que haja uma adaptação definitiva à ausência da vesícula.
 
RECUPERAÇÃO
A recuperação da operação é geralmente muito rápida e a maioria dos pacientes volta as suas atividades normais em poucos dias.